50 anos do contra-golpe que desencadeou Guerra do Biafra

Katrin Matthaei / Cristiane Vieira Teixeira

Em 29 de julho de 1966, militares da etnia hauçá-fulani, do norte da Nigéria, chegaram ao poder através de um golpe de Estado. Um ano depois, teve início a Guerra do Biafra.

Quando os britânicos concederam a independência à Nigéria, em outubro de 1960, o Estado recém-criado congregava muitos grupos étnicos diferentes. A luta pelo poder entre os três principais grupos era inevitável. O grupo do norte, hauçá-fulani, competia com as duas grandes nações do sul, onde os negócios e administração eram muito mais desenvolvidos: os igbos no sudeste e os iorubás no sudoeste.

O norte foi favorecido na distribuição do poder. Em 15 de janeiro de 1966, seis anos após a independência da Nigéria, os igbos chegaram ao poder por meio de um golpe e assassinaram líderes políticos do norte. A reação veio em 29 de julho desse ano, com o contra-golpe do norte que retirou os igbos da liderança militar.

Seguiu-se uma violência generalizada contra o povo igbo. Não se sabe ao certo quantos deles foram mortos. Mas o grupo étnico justificou a proclamação da independência da República do Biafra, em 30 de maio de 1967, citando um elevado número de vítimas, explica o historiador Mike Gould, que escreveu um livro sobre o assunto.

"O líder separatista Chukwuemeka Ojukwu falava em 50.000 mortos. O Alto Comissariado Britânico tem em seus registros cerca de 5.000 mortos," explica.

Ojukwu persistiu na luta pela independência da região do Biafra. No entanto, o governo central de Yakubu Gowon não podeia aceitar uma divisão do Estado nigeriano. Em 6 de julho de 1967, o exército nigeriano marchou para Biafra.

Reconciliação em aberto

Atualmente, o conflito entre o norte e o sudeste da Nigéria permanece latente nas mentes de muitas pessoas.

Nunca ninguém respondeu pela violência generalizada ou outros crimes. Depois da guerra, todos os lados concordaram com uma amnistia. Desde então, o assunto é um grande tabu e a desconfiança entre os grupos étnicos ainda é grande, diz o cientista político Nkwachukwu Orji.

"Há apenas a tendência de esquecer o passado", critica Orji. "O primeiro Governo pós-guerra defendeu a tendência de assumir que não aconteceu nada e seguir em frente. Um monte de queixas que emanavam da guerra foram varridas para debaixo do tapete e ninguém as abordou de forma sistemática".

Nunca houve um pedido de desculpas oficial do Estado nigeriano aos igbos. No entanto, a necessidade de reconciliação permanece visível, especialmente com o surgimento de um novo movimento de independência auto-declarada do Biafra que pleiteia novamente a separação da Nigéria, explica o cientista político.

"As gerações que não experimentaram a guerra, alguns deles são ainda mais amargos do que aqueles que realmente experimentaram a guerra," afirma Nkwachukwu Orji.

Como resultado da Guerra do Biafra, os militares converteram o país num Estado federal com 36 estados. Para a maioria dos nigerianos, a divisão do país está fora de questão.

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