Primeiro-ministro admite que Cabo Verde "não está bem"

Nélio dos Santos (Cidade da Praia)

O Parlamento cabo-verdiano debateu esta sexta-feira (29.07) o estado da nação, o ponto alto dos debates e que marcou o fim do presente ano parlamentar. Uma discussão que dividiu o Governo e os dois partidos da oposição.

O debate foi aberto pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que traçou um cenário sombrio do país que herdou há pouco mais de três meses. "O país não está bem. Temos um contexto económico, financeiro e social difícil e é neste cenário que vamos governar", disse o chefe do Governo.

Júlio Correia, do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), disse que o estado da nação não é nem mau nem emergencial como estão a faz crer o Governo e o Movimento para a Democracia (MpD, no poder). O deputado considerou que oprimeiro-ministro, na sua intervenção, "não arrasou o PAICV, mas sim o país" e fez "um auto-retrato com 15 anos de atraso".

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Fernando Elísio Freire, respondeu que o PAICV está a escolher o caminho errado para criticar um Governo que ainda está na fase de aquecimento. "O legado da vossa governação é a maior taxa de desemprego de sempre, é a maior dívida pública de sempre, é a maior desigualdade regional de sempre, ilhas a perderem população e desigualdades regionais no acesso a saúde, a educação e as tecnologias", sublinhou.

O deputado e presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) criticou as duas principais forças políticas do país. António Monteiro propôs que a situação de crise, tanto propalada pelo PAICV que sustentou o anterior Governo como pelo actual Executivo do MpD, seja transformada em oportunidades.

"Em vez de não falar sobre a crise, como opta por fazer o PAICV num sinal de conformismo e de miopia, ou de promovê-la e escudar-se atrás dela, como faz o MpD para justificar as suas falsas partidas, optemos por transformar o momento actual numa oportunidade", desafiou.

Nomeações polémicas

O chefe do Governo anunciou, na semana passada, que indigitou o antigo primeiro-ministro, Carlos Veiga, e o antigo ministro da Justiça, Eurico Correia Monteiro, para chefiarem as missões diplomáticas de Cabo Verde em Washington e em Portugal.

A decisão foi duramente criticada pelo PAICV que considerou que o Governo está a partidarizar as embaixadas.

Ulisses Correia e Silva refutou as críticas. "A senhora líder do PAICV devia estar orgulhosa pelo facto de um antigo primeiro-ministro ser chamado a exercer um alto cargo de embaixador", sublinhou.

O primeiro-ministro revelou ainda que pensa em convidar o seu antecessor, José Maria Neves, para uma das embaixadas. "Eu estaria orgulhoso se José Maria Neves, ex-primeiro-ministro, apesar das nossas divergências políticas e de interpretação dos resultados, fosse convidado para ser embaixador de Cabo Verde".

Este debate sobre o estado da nação coincide com os primeiros 100 dias de governação do Executivo de Ulisses Correia e Silva, a assinalar no próximo domingo (31.07). "Eu nunca contei os 100 dias, porque nós temos uma governação para cinco anos", diz o primeiro-ministro.

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