Governo turco admite que pode haver "injustiça" na repressão pós-golpe

Primeiro-ministro da Turquia afirma que erros podem ter sido cometidos e que Ancara vai verificar possíveis falhas. Desde a tentativa de golpe, quase 20 mil pessoas foram detidas, e mais de 50 funcionários, afastados.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, admitiu nesta segunda-feira (01/08) que pode ter havido um tratamento "injusto" na repressão iniciada na sequência da tentativa de golpe de estado na Turquia.

Desde 15 de julho, quase 19 mil pessoas foram detidas e estima-se que mais de 50 mil funcionários públicos e membros das Forças Armadas tenham sido afastados dos cargos.

"Definitivamente, deve haver alguns entre eles que foram submetidos a procedimentos injustos", reconheceu Yildirim em entrevista à agência estatal de notícias Anadolu. "Vamos fazer uma distinção entre os que são culpados e os que não são", prometeu.

O vice-primeiro-ministro, Numan Kurtulmus, endossou o posicionamento do governo: "Se houver qualquer erro, vamos corrigi-los."

A comunidade internacional pressiona a Turquia a dar esclarecimentos sobre o expurgo. EUA e Europa fizeram duras críticas às medidas adotadas pelo presidente Recep Tayyip Erdogan.

Tensões com a Alemanha

Nesta segunda-feira, o governo turco convocou um alto representante diplomático da Alemanha em Ancara em protesto à decisão do Tribunal Constitucional Federal alemão de proibir a participação de Erdogan, por meio de vídeo, numa manifestação em Colônia, no oeste do país.

A decisão foi condenada na Turquia, e o porta-voz da presidência, Ibrahim Kalin, a chamou de "violação da liberdade de expressão e do direito à liberdade de reunião".

O protesto pró-Erdogan em Colônia reuniu neste domingo de 30 mil a 40 mil pessoas, segundo a polícia. Os manifestantes foram às ruas para demonstrar solidariedade ao líder turco após a tentativa de golpe de Estado.

O regime de Erdogan também ameaça a União Europeia (UE) com o rompimento do acordo sobre refugiados se a exigência de visto para cidadãos turcos que desejarem viajar para países do bloco não for eliminada até outubro.

Nesta segunda-feira, autoridades turcas se encontraram com chefes das Forças Armadas dos EUA para discutir a extradição do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado por Erdogan de ter coordenado a tentativa de golpe de Estado. Gülen vive em exílio autoimposto nos EUA.

KG/afp/rtr/dpa

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