EI nomeia novo líder do Boko Haram

Publicação semanal do "Estado Islâmico" menciona Abu Musab al-Barnawi como novo governador da "província do oeste africano". Mudança no comando gera especulações sobre o destino do até então chefe Aboubakar Shekau.

O novo líder do Boko Haram, grupo jihadista que jurou lealdade à organização extremista "Estado Islâmico" (EI), é Abu Musab al-Barnawi, de acordo com publicação do semanal jihadista al-Naba.

Em entrevista ao semanário online do EI, Barnawi é mencionado como o novo governador da filial do "Estado Islâmico" no oeste africano. Além de um segmento que discutiu a proclamação de lealdade do Boko Haram ao EI, sacramentada em março de 2015, Barnawi não fez menção do líder do grupo, Abubakar Shekau.

Desde março de 2015, Barnawi agia como porta-voz e um comandante militar do alto escalão do Boko Haram. A aparente mudança de liderança provocou especulações sobre o destino de Shekau, que apareceu pela última vez num vídeo em março. No vídeo, ele parecia fraco e disse: "Para mim, o fim chegou."

É incerto se Shekau está morto, incapaz de conduzir o grupo jihadista devido a uma doença ou se ele foi subsituído devido a rixas internas. Tem havido especulações de desavenças internas no Boko Haram. Em junho, um general dos EUA disse que um grupo dentro do Boko haram tinha se separado de Shekau devido a sua falha em seguir as orientações do EI.

Ryan Cummings, diretor do grupo Signal, que analisa riscos do sul da África, afirmou em entrevista à DW que muito pouco é conhecido sobre a estrutura organizacional da província do oeste africano do "Estado Islâmico" e o Boko Haram.

"O 'Estado Islâmico' no oeste africano pode ser uma organização maior, da qual o Boko Haram é apenas uma das facções menores. Isso poderia indicar que Shekau ainda é um líder dentro do movimento do Boko haram, mas que ele é o segundo no comando ou possivelmente apenas um vice-líder de Barnawi, que, assim, iria supervisionar uma posição mais regional dentro do movimento", explicou.

"Não temos nenhuma evidência de que o 'Estado Islâmico' esteja fornecendo qualquer forma de patrocínio logístico ou operacional ao Boko Haram", acrescentou Cummings.

Shekau tornou-se líder do grupo em 2009, após seu fundador Mohammed Yusuf ter sido morto por forças de segurança da Nigéria. Ele era conhecido por extrema brutalidade e comportamento errático.

Os sete anos de conflito causaram a morte de cerca de 20 mil pessoas e forçaram a fuga de 2,6 milhões de pessoas. No ano passado, o Boko Haram chegou a dominar um pedaço de território do tamanha da Bélgica, no nordeste da Nigéria, mas desde então tem sido encurralado pelo Exército nigeriano.

O conflito transpôs as fronteiras e atingiu Camarões, Níger e Chade - todos países que se juntaram à Nigéria na luta contra o Boko Haram. O grupo jihadista realiza regularmente ataques contra as forças de segurança, bombardeia mercados e mesquitas, além de executar sequestros.

PV/ap/afp/rtr

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