Números contrariam sensação de insegurança de alemães

Matthias von Hein (md)

Atentados e massacres provocaram nos alemães um sentimento de insegurança. Entretanto, estatísticas mostram que criminalidade vem caindo há anos no país, incluindo delitos cometidos por estrangeiros.

O massacre de Munique, os atentados de Ansbach e Würzburg, o ataque com faca de Reutlingen - muitas pessoas na Alemanha estão com medo. As agressões sexuais em massa na noite de Ano Novo em Colônia já haviam minado a sensação de segurança no país, e desde então se discute se a Alemanha também importou violência e crime junto com o mais de um milhão de refugiados que acolheu.

"A Alemanha vem se tornando mais segura", afirma o criminólogo Christian Pfeiffer, talvez contrariando o que é percebido pela maioria das pessoas.

O ex-diretor do Instituto de Pesquisa Criminológica da Baixa Saxônia cita estatísticas da polícia. Segundo elas, o número de homicídios caiu em 40% desde 2000. Também a violência sexual, de acordo com ele, está em seu nível mais baixo nos últimos anos.

"Os estupros caíram em 2015 em comparação aos anos anteriores, embora tenhamos tido uma imigração muito grande, especialmente de homens jovens. Não há um único delito violento que tenha aumentado."

Ameaça superestimada

O noticiário sobre o tema criminalidade é dominado por crimes espetaculares, especialmente atos violentos graves cometidos por jovens. No entanto, eles são apenas uma parcela pequena do total de crimes, estatisticamente falando.

"Como resultado, a incidência de crimes graves e o risco para a população são altamente superestimados", escreve o criminólogo Christian Walburg em seu relatório intitulado Migration und Jugenddelinquenz (migração e delinquência juvenil), de 2014. Em alguns campos da criminalidade, entretanto, Walburg registrou ter havido aumento.

"Temos observado há alguns anos um aumento em arrombamentos de residências. Outro delito que aumentou consideravelmente é o roubo de carteiras", afirma o especialista, em entrevista à DW, observando, entretanto, que isso nada tem a ver com a imigração elevada. "Esses números já vinham aumentando há anos", salienta.

Pequenas infrações

Claro que também pode haver criminosos entre os refugiados. De acordo com dados das autoridades alemãs, ano passado foram registrados 84 mil requerentes de asilo suspeitos de cometer crimes - sem contar com delitos contra a lei de imigrantes. Mas em comparação com 1993, esse número perde em dramaticidade. Naquela época, foram quase 160 mil suspeitos entre os requerentes de asilo.

O número de suspeitos aumentou menos nos últimos anos do que o número de requerentes de asilo. Além disso, a maioria dos delitos são de pouca gravidade: 39% são roubo a loja e 18% correspondem a usar transporte público sem pagar passagem, enquanto estupro e agressão sexual representam 0,5% dos casos.

Ao se referir a esses dados, Pfeiffer afirma não querer minimizar nada, somente tornar o debate mais sóbrio. Ele reconhece que jovens que cresceram da Síria e no Iraque vêm de culturas de dominação masculina e que foram influenciados por elas. Mas ele ressalta que esse era o caso também em relação a turcos e iugoslavos que imigraram para a Alemanha. Para ele, tudo depende do processo de aprendizagem cultural. "Isso depende muito de que essas pessoas não permaneçam isoladas, que elas possam se tornar parte da nossa sociedade", avalia o especialista.

Ele vê um risco elevado de criminalidade especialmente entre jovens da cultura árabe, que não têm nenhuma perspectiva de residência e, portanto, nada a perder - como os oriundos do norte da África. "O número de tais 'perdedores da migração' deve ser mantido tão pequeno quanto possível e deve-se providenciar o retorno deles ao país de origem voluntariamente ou pela deportação", afirma.

Longos processos

O chefe da polícia científica da cidade de Braunschweig, Ulf Küch, lida todos os dias com criminosos, incluindo refugiados e imigrantes. Ele cita especialmente dois grupos de criminosos estrangeiros como os mais numerosos.

"São aqueles que vêm do Leste Europeu e aqueles que vêm do noroeste da África. Mas eles não estão entre aquele grupo de pessoas que chegaram no ano passado com o afluxo de refugiados", diz Küch.

Ele acredita ser importante que haja consequências rápidas para os crimes. Por isso, vê de forma crítica a demora dos processos judiciais. Para contornar o problema, Küch fechou uma cooperação com procuradores e tribunais para acelerar julgamentos, através de um processo mais rápido de decisão.

"Quando crimes são cometidos, a promotoria examina se deve ser determinada prisão preventiva", explica Küch. "Em seguida, o juiz manda prender a pessoa por dois ou três dias e vem o julgamento preliminar", explica. Graças a este processo acelerado, o criminoso é condenado dentro de uma semana. Para um candidato a asilo, a consequência pode ser bastante desagradável, pois uma pena condicional já é suficiente para que o pedido de asilo seja rejeitado.

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