Opinião: A batalha decisiva em Aleppo

Situação é catastrófica sobretudo para moradores da cidade síria. Combates intensos são prelúdio de que para a maioria dos que fugirem não haverá como voltar para casa, opina o jornalista Rainer Hermann.

Com a batalha em Aleppo, a guerra na Síria voltou com tudo para a consciência da opinião pública internacional. Enquanto o regime sírio aperta o cerco à cidade sitiada, os rebeldes querem reconectar Aleppo a seu território. Há muito em jogo para ambos os lados.

O regime quer garantir uma Síria com suas quatro grandes cidades, que além de Damasco e Aleppo incluem Homs e Hama. Os rebeldes, por sua vez, não controlariam mais nenhuma cidade grande com a queda de Aleppo. Eles reinariam apenas em áreas rurais no norte e no sul da Síria, com Idlib como a maior cidade. As outras regiões do país são divididas entre curdos e o chamado "Estado Islâmico".

Aleppo tem para ambos as partes em conflito - regime e rebeldes - um grande significado simbólico. Isso explica os conflitos intensos. A dimensão da tragédia pode ser medida pelo fato de não haver mais relatos sobre o número de vítimas.

A situação é catastrófica sobretudo para os moradores de Aleppo. A ONU estima que 300 mil pessoas estejam isoladas do mundo. Aleppo representa, assim, o maior cerco desde o início da guerra civil, em 2011. Os alimentos básicos estão esgotados, e ainda assim o regime sírio e sua aliada Rússia não permitem que um corredor controlado pelas Nações Unidas leve comida e medicamentos para os sitiados.

E a Rússia se faz culpada por mais um crime de guerra, com seus aviões de guerra e helicópteros bombardeando até cerca de 40 vezes todos os dias o leste da cidade, sob controle dos rebeldes.

Ninguém ficaria surpreso se, caso houvesse corredores que levassem para fora da cidade devastada, essas pessoas se dirigissem à Europa como refugiados. Ainda mais que aviões russos têm bombardeado também campos de refugiados no norte da Síria. Com a batalha decisiva em Aleppo fica claro que, para a maioria dos sírios, não haverá mais como voltar para casa.

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