Ministro alemão propõe "Plano Marshall" para África

Sandrine Blanchard, ak, mjp / epd, afp

É preciso investir mais e melhor no continente africano para ajudar a travar a fuga de migrantes, defende o ministro alemão do Desenvolvimento. Gerd Müller visita esta semana o Senegal, o Níger e o Ruanda.

Antes de partir para a viagem de cinco dias ao continente africano, o ministro alemão para a Cooperação Económica e Desenvolvimento disse ao jornal alemão "Bild am Sonntag" o que leva na bagagem: A ideia de aumentar o investimento privado europeu, num plano mais vasto para reintegrar os migrantes nos países africanos.

Ao chegar ao Senegal, esta segunda-feira (08.08), Gerd Müller sublinhou a importância de reforçar as parcerias com o continente. "África é o desafio do futuro da Europa", disse. "Nos próximos trinta anos, a população africana vai duplicar. Isto significa que todos os anos serão necessários 20 milhões de empregos adicionais, nomeadamente para os jovens."

Em entrevista ao "Bild am Sonntag", Müller sugeriu um plano nos mesmos moldes do "Programa de Recuperação Europeia", assinado em setembro de 1947, que previa ajuda financeira dos Estados Unidos à reconstrução dos países europeus aliados depois da Segunda Guerra Mundial.

"Precisamos de um Plano Marshall para África: Grandes investimentos ao longo de décadas em soluções de futuro inteligentes, em energias renováveis, na formação profissional em setores promissores, com investimentos no processamento de matérias-primas", afirmou o dirigente alemão. "Para isso, precisamos da economia".

Segundo Müller, os países ocidentais devem incentivar as suas empresas a investir mais em África, oferecendo, por exemplo, benefícios fiscais, em setores inovadores e criadores de emprego.

Em troca, o ministro alemão propõe que os Estados africanos recebam de volta os migrantes que partiram para a Europa.

Empresários africanos e ONG têm palavra a dizer

Maguèye Kasse, professor na Universidade Cheikh Anta Diop de Dakar e especialista em relações germano-africanas, considera que é preciso incluir algumas condições neste plano, face às falhas acumuladas no que diz respeito às políticas de migração.

"Tentámos travar a emigração com o Frontex, o que não funcionou. Tentámos forçar os países a tomar medidas que não funcionaram. Agora, se houver um Plano Marshall, é preciso que haja consultas rigorosas que não excluam entidades que muitas vezes não participam em projetos deste género, como a sociedade civil", afirma Kasse.

Mouhamadou Mbodj, coordenador do Fórum Africano em Dakar, considera que é necessário rever os termos das trocas comerciais entre os países ocidentais e o continente africano, na condição de realizar reformas nos países em causa.

"Se não colocarmos o setor privado africano no centro da discussão sobre um Plano Marshall para África, ele não servirá nem a população nem o desenvolvimento económico", diz Mbodj. "É preciso trabalhar na industrialização do continente. Temos de ligar estas ideias às iniciativas que já existem para que tenham substância. E a sociedade civil tem de ser envolvida."

No Senegal, a primeira paragem do périplo africano do ministro alemão para a Cooperação e Desenvolvimento, a Alemanha pretende promover, em particular, a expansão das energias renováveis. Mas a atenção de Gerd Müller está sobretudo voltada para o Níger, ponto de passagem de dezenas de milhares de refugiados que partem para o Mediterrâneo na tentativa de chegar à Europa.

Segundo o dirigente alemão, é necessário resolver os problemas nos locais de origem para que milhares de pessoas deixem de arriscar a vida na fuga através do Saara e do Mediterrâneo.

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