Ministro alemão quer facilitar deportação de estrangeiro que cometer crime

Thomas de Maizière reage aos recentes atentados com série de medidas de segurança, incluindo deportação mais rápida de imigrantes que cometerem crimes, melhor combate à cibercriminalidade e aumento de policiais federais.

O Ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, apresentou nesta quinta-feira (11/08) uma série de propostas para elevar a segurança e diminuir o risco de atentados terroristas na Alemanha, abalada por recentes atentados.

Em entrevista à imprensa, De Maizière começou falando dos ataques em Ansbach e em Würzburg em julho - ambos na Baviera e executados por refugiados. O ministro afirmou que é preciso superar as preocupações da sociedade e, de forma ponderada e determinada, adotar as medidas cabíveis a esses atos de violência.

"Ninguém pode garantir segurança absoluta, mas temos que fazer aquilo que está ao nosso alcance", afirmou. O ministro reiterou que a Alemanha não vai responder à violência com ódio e divisão na sociedade. "Esse triunfo nós não daremos aos terroristas."

Mais policiais

De Maizière dividiu seu pacote antiterrorismo em três pontos. O primeiro deles são contratações no setor de segurança. Segundo o ministro, já foi definida a abertura de 4.600 novas vagas. Somente a polícia federal deve ganhar 3.250 funcionários.

Para evitar ataques, o ministro falou num combate mais eficiente à cibercriminalidade e na capacitação de investigadores especializados para identificar o comércio ilegal de armas e a comunicação entre terroristas na internet.

O ministro também falou sobre a necessidade de unificar dados e promover um melhor intercâmbio de informações entre autoridades da União Europeia, em relação a impressões digitais e vistos, por exemplo.

Melhor integração de refugiados

O segundo ponto mencionado é a prevenção de ataques através da integração dos imigrantes à sociedade alemã, afastando-os assim da radicalização. "Boa política de integração também é uma boa política de segurança", afirmou De Maizière.

Segundo o ministro, é necessário um melhor acompanhamento dos refugiados. Professores dos chamados cursos de integração devem ser capacitados para lidar melhor com pessoas traumatizadas.

Ele também falou sobre o sigilo médico. Este deve ser mantido, mas o governo deve buscar junto à comunidade médica maneiras de identificar quando um indivíduo representa um risco para a sociedade. A proposta, que vazou antes da fala do ministro, foi alvo de polêmica, e tem como origem o fato de que o jovem que executou o recente atentado de Munique estava sob tratamento médico.

Deportações e retirada da cidadania alemã

O terceiro ponto apresentado pelo ministro foi "agir com determinação contra potenciais agressores, criminosos e pessoas que levam outras à radicalização".

Estrangeiros que cometeram crimes ou que representam perigo para a sociedade devem ser deportados mais rapidamente, propôs. O período em que um imigrante fica sob o status de tolerado (geduldet) deve ser encurtado quando, por exemplo, ele fornecer informações erradas sobre sua identidade.

Além disso, alemães que se unirem à luta armada de grupos extremistas no exterior e possuírem dupla cidadania devem perder a cidadania alemã. Aliciar pessoas ou fazer propaganda para grupos terroristas deve ser passível de punição.

Proibição da burca é descartada

Ao responder a perguntas de repórteres, De Maizière afirmou que é preciso diferenciar entre os temas refugiados e terrorismo. No entanto, ele reiterou que os ataques em Ansbach e Würzburg foram cometidos por refugiados, e que há indícios de que há terroristas entre os refugiados.

Ao ser questionado sobre uma possível proibição da burca no país, o ministro disse que isso pode violar a Lei Fundamental (Constituição). Ele também descartou o fim da dupla cidadania para pessoas nascidas na Alemanha. "Não se pode proibir tudo o que se rejeita", afirmou.

Segundo De Maizière, da União Democrata Cristã (CDU), as propostas são consideradas aceitáveis pelo parceiro de coalizão Partido Social-Democrata (SPD). O ministro afirmou que as medidas devem ser discutidas e aprovadas ainda nesta legislatura.

LPF/dpa/rtr/afp/epd

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