Passageiros dos transportes coletivos em Manica contra aumento dos preços

Bernardo Jequete (Chimoio)

Na província de Manica, no centro de Moçambique, passageiros dos transportes coletivos contestam o aumento repentino das tarifas. Também o Governo provincial recusou a proposta dos transportadores.

Em Chimoio, capital provincial de Manica, passageiros dos transportes coletivos não estão de acordo com o aumento verificado. O Governo provincial também refutou a proposta de aumento do preço dos transportes apresentada pela Associação dos Transportadores de Passageiros de Manica.

Apesar dos protestos e da recusa do Governo, alguns transportadores decidiram aplicar a medida. Alegam que por causa da insegurança nas estradas provocada pelo agravamento da violência político-militar têm de utilizar rotas alternativas, o que acarreta um maior consumo de combustíveis.

Para o distrito de Gondola, na província de Manica, por exemplo, os operadores já estão a cobrar 25 meticais (cerca de 33 cêntimos de euro) contra os anteriores 20 meticais (cerca de 26 cêntimos). A situação está a ser contestada pelos passageiros, que não conseguem encontrar alternativas para chegar aos seus destinos.

Aumento de preço não autorizado pelo Governo

A DW África falou com alguns passageiros, que denunciaram que estão a ser praticados preços não autorizados. Indefesos, os utentes dizem estar a ser obrigados a pagar quantias avultadas e queixam-se que as autoridades não estão a pôr cobro a esta situação.

"Os preços subiram muito", diz um enquanto outro passageiro acrescenta que "ontem era um preço e hoje é outro. Somos informados dos aumentos de um dia para outro. Ninguiém nega isso"

Outro passageiro ouvido pela DW África, que não quis ser identificado, queixa-se da actuação dos fiscais da Associação dos Transportadores de Passageiros de Manica:

"Estamos a ser cobrados valores de uma nova tarifa que o Governo interditou. Os fiscais estão aqui, eles só assistem e não fazem nada".

Alguns transportadores decidiram unilateralmente aplicar uma medida proposta pela Associação dos Transportadores de Passageiros de Manica. A ATPM queria aumentar em 25% os preços dos transportes coletivos, no início deste mês. Mas o Governo Provincial recusou a proposta.

Preço de combustível inalterável

Não há motivos que justifiquem a medida, uma vez que o preço de combustível continua inalterável no mercado, afirmou a diretora provincial dos transportes e comunicações de Manica, Maria da Imaculada Gabriel:

"Na província de Manica não haverá subida dos preços de transportes de passageiros inter-distritais. Através de uma nota tivemos conhecimento que a ATPM iria subir a tarifa na ordem de 25%, estando a violar o regulamento de transportes em automóvel, por esta razão decidimos interditar esta subida, porque ainda não foi aprovada pelo Governo provincial".

Governo provincial promete solucionar brevemente o problema

Quem faz os ajustes e aprova as tarifas é o Governo provincial, lembrou Maria da Imaculada Gabriel, que prometeu resolver a situação em breve.

"Apelamos a continuarem a aplicar os preços anteriores até à sua aprovação. Ainda apelar à população para denunciar qualquer tentativa de aplicação da suposta nova tarifa. Portanto, neste momento estamos a trabalhar para resolver o problema. Pedimos um pouco de calma porque brevemente teremos uma solução".

O presidente da ATPM, Alfredo Canheze, reconheceu que o preço dos combustíveis não sofreu nenhum agravamento nos últimos tempos. Mas o preço dos acessórios das viaturas registou um "aumento galopante" no mercado, encarecendo o processo de manutenção das viaturas e afectando os rendimentos finais dos transportadores. Tudo isso agravado pela depreciação da moeda nacional.

"Informamos o Governo através de uma carta onde explicamos detalhadamente as razões deste aumento. Ficamos muito tempo à espera e não tivemos resultados. Por isso, havíamos decidido avançar com as novas tarifas. Foi então que o Governo decidiu impedir para dar lugar uma discussão em torno deste assunto". Segundo Alfredo Canheze, os transportadores e o público em geral já estavam informados sobre a introdução de novos preços. O último reajuste das tarifas ocorreu há cinco anos. Por isso, o responsável da Associação dos Transportadores de Passageiros de Manica defende que é preciso reexaminar a tabela em vigor.

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