Solução para Sudão do Sul "tem de partir de dentro"

Isaac Mugabi, Daniel Pelz / gcs / AFP

O mandato da missão de paz das Nações Unidas no Sudão do Sul termina esta sexta-feira. Uma nova força regional deverá fortalecer a missão no terreno, mas será que contribuirá para uma paz efetiva?

Os 15 países-membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas têm uma tarefa difícil pela frente.

No mês passado, o Sudão do Sul voltou a ser palco de confrontos violentos após dois anos de uma guerra civil que causou dezenas de milhares de mortos e mais de 2,5 milhões de refugiados. O Conselho deverá, agora, votar uma proposta para alargar o mandato da missão de paz da ONU no Sudão do Sul (MINUSS), que termina esta sexta-feira (12.08). Mas, segundo analistas ouvidos pela DW África, só isso não chega.

Embora a MINUSS receba elogios por abrigar mais de 200.000 civis nas suas bases, a missão tem também sido criticada por não conseguir travar os confrontos.

"Eles já têm um mandato robusto. No mandato atual, podem proteger ativamente os civis", diz Marina Peter, consultora para o Sudão do Sul da organização alemã "Brot für die Welt". "Mas há militares suficientes? Essa é, para mim a grande questão".

Solução interna?

O projeto de resolução do Conselho de Segurança, proposto pelos Estados Unidos da América, prevê o envio de uma forma adicional de 4.000 soldados africanos para complementar a missão de paz, composta atualmente por mais de 12.000 homens.

A força poderia usar "todos os meios necessários" para assegurar a paz em Juba e prevenir ataques contra as bases das Nações Unidas. O Governo sul-sudanês insurgiu-se contra o projeto, que transformaria "o Sudão do Sul num protetorado". Entretanto, o texto terá sido alterado, acrescentando uma "estratégia clara de saída".

"É preciso olhar para o país inteiro, por onde se espalham os confrontos. Mesmo a maior força no mundo não é suficiente para travar a violência", afirma Marina Peter. "A solução tem de partir de dentro."

Henrik Maihack, diretor para o Sudão do Sul na Fundação alemã Friedrich Ebert, concorda - não se pode esperar que a missão faça tudo num país tão vasto. Além disso, segundo Maihack, "por vezes falta capacidade e não há clareza sobre o que o mandato significa para os soldados."

"Em Malakal, por exemplo, a MINUSS demorou várias horas a responder a um ataque a um dos locais de proteção de civis. Mais tarde, depois de uma investigação, concluiu-se que os capacetes azuis não sabiam claramente aquilo que estavam autorizados a fazer e, por isso, pediram ordem por escrito", conta o responsável.

A Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) da África Oriental aprovou o envio de uma força regional para o Sudão do Sul. Juba recusou inicialmente a proposta, mas deu entretanto "luz verde".

O projeto de resolução das Nações Unidas prevê um embargo de armas ao Sudão do Sul se o Governo de transição não cooperar com os Estados Unidos da América e colocar obstáculos ao destacamento das tropas.

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