1960: Primeiro satélite de comunicações no espaço

Oliver Ramme (gh)

Em 12 de agosto de 1960, um foguete do tipo Thor Delta com capacidade para 100 quilos de carga partiu para sua missão: lançar no espaço o primeiro satélite passivo de comunicações, o Echo 1.

Cabo Canaveral, 12 de agosto de 1960. Um foguete de lançamento do tipo Thor Delta, de 25 metros de comprimento e 100 quilogramas de carga a bordo, parte para a sua missão: lançar no espaço o primeiro satélite passivo de comunicações - o Echo 1. Tratava-se da segunda tentativa. A primeira missão do Echo 1 fracassara três meses antes.

O Thor Delta levou o satélite de 76 quilos até uma altura de 650 quilômetros. Somente no espaço, o Echo 1 desenvolveu suas proporções integrais. Ele inflou e assumiu a forma de um balão - uma espécie de lua artificial com diâmetro inicial de 30,5 m.

Seu invólucro de plástico era revestido por uma fina camada de alumínio. A lua de prata entrou numa órbita elíptica que oscila entre 1.500 e 1.700 quilômetros acima da superfície terrestre. Devido ao seu tamanho, era visível a olho nu. Seus horários de passagem sobre os diferentes países eram divulgados por jornais de todo o mundo. Milhões de pessoas viram o satélite.

Satélite sem equipamentos

A principal tarefa do Echo 1 era a transmissão de notícias. À exceção de uma antena para medir sua distância em relação à Terra, ele não tinha equipamento a bordo. Sua enorme capa de alumínio refletia os sinais emitidos da Terra de um ponto para outro do planeta.

"Em princípio, era semelhante a um sinal de radar. Era um espelho convexo, muito ineficiente, que refletia os sinais em todas as direções celestes e apenas uma parte mínima chegava ao alvo desejado. Isso significava que, na transmissão e recepção, era preciso usar antenas enormes. Para fins de testes, isso funcionava, mas para uso prático doméstico era dispendioso demais", conta o professor Udo Renner.

Naturalmente, o Echo 1 também virou um instrumento da "guerra nas estrelas" entre as superpotências da época, os Estados Unidos e União Soviética. Poucas semanas depois do lançamento do balão, o presidente dos EUA, Dwight Einsenhower (1890-1969) realizou o primeiro telefonema transatlântico via satélite. Enquanto cruzava o espaço a 25.000 km/h, o Echo 1 refletiu as seguintes palavras do presidente:

"É uma grande satisfação pessoal, participar desse primeiro experimento de comunicação com o satélite-balão Echo1. Este é mais um passo significativo do programa norte-americano de pesquisas e explorações do espaço. O programa continuará sendo energicamente implementado pelos Estados Unidos - com intenções pacíficas e para o bem de toda a humanidade." O cientistas da Nasa, no entanto, não almejavam apenas novas descobertas na área das telecomunicações. Com o Echo 1, pretendiam também reunir dados sobre as relações entre desaceleração, atrito e densidade da ar.

Curta vida útil

Em 1964, a Nasa lançou o segundo satélite-balão. O Echo 2 tinha um envoltório mais espesso e um diâmetro de 40 metros. Quedas de meteoritos perfuravam a sensível capa e deformavam os balões que, no final, tinham a forma de ameixas. Os Echos 1 e 2 tiveram uma vida útil de apenas poucos anos.

Já os satélites atuais duram de 15 a 17 anos. Sua vida útil é limitada por dois motivos: as constantes correções de rota consomem o precioso combustível; e, com o tempo, a tecnologia se torna ultrapassada.

O Echo 1 permaneceu oito anos no espaço; o Echo 2, apenas cinco. No final, os sinais refletidos pelos dois balões eram quase imperceptíveis, por causa da enorme deformação. Em 24 de maio de 1968, o Echo 1 penetrou e abrasou-se na atmosfera terrestre. No ano seguinte, o mesmo ocorreu com o Echo 2.

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