Cannes proíbe uso de burkini

Resort no sul da França veta uso de trajes de banho que cubram o corpo todo. Prefeito alega risco à ordem pública num momento em que o país é alvo de ataques terroristas.

A cidade de Cannes, no sul da França, baniu o uso dos chamados burkinis - roupas de banho que cobrem todo o corpo, inclusive a cabeça - em suas praias, alegando motivos de segurança.

O prefeito da cidade, David Lisnard, emitiu um decreto proibindo trajes de banho que não respeitem "os bons costumes e o secularismo". Ele afirma que roupas que "manifestem afiliação religiosa de forma ostensiva, num momento em que a França e seus locais religiosos são alvo de ataques terroristas, poderia colocar a ordem pública em risco".

Segundo uma autoridade municipal, a medida ficará em vigor até o fim de agosto, e quem violar a proibição está sujeito a uma multa de 38 euros.

Apesar de o decreto não usar explicitamente a palavra burkini, o prefeito confirmou que o alvo é o traje de banho islâmico. Ele classifica o burkini de "uniforme do islamismo extremista, e não da religião muçulmana".

"Trata-se de uma medida entre muitas outras para proteger a população no contexto do estado de emergência [na França] e de atos terroristas", disse em entrevista publicada nesta sexta-feira (12/08) no jornal Nice-Matin.

Lisnard afirmou ainda que a medida também pode ser aplicada aos sáris usados por banhistas indianas, porque a vestimenta pode atrapalhar salva-vidas no caso de uma emergência.

Estado laico

A proibição em Cannes é a última de uma série de medidas na França vistas como de exclusão ao islã - a segunda maior religião do país, em termos de seguidores -, em nome do Estado laico.

A legislação francesa já proíbe o uso de véus que cubram o rosto em qualquer local público, assim como véus que cobrem a cabeça em escolas públicas. Defensores da lei afirmam que o objetivo é preservar valores seculares e proteger as mulheres da opressão religiosa. Críticos, por sua vez, afirmam que a medida divide ainda mais a sociedade, e extremistas do grupo "Estado Islâmico" (EI) podem usá-la como justificativa para atacar a França.

Na semana passada, o prefeito de uma cidade nos arredores de Marselha proibiu um dia de banho para mulheres num parque local, alegando risco à ordem pública porque no dia em questão seria reservado a banhistas com burkinis.

Ativistas alertaram que a proibição em Cannes pode levar a uma alienação ainda maior dos muçulmanos na sociedade francesa. O Coletivo contra a Islamofobia no país disse que entrará com uma ação contestando a legalidade da medida no resort. A entidade pediu tolerância, lembrando que cerca de um terço das 85 vítimas do recente ataque terrorista em Nice, também no sul da França, era muçulmana.

LPF/ap/dpa

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