Checkpoint Berlim: Safári pelas ruas da capital

Clarissa Neher

No cair da noite, Belim é invadida por animais selvagens. Espécies vão desde de simpáticos coelhos até raposas ferozes. Passeio noturno pelo centro da cidade é uma atração à parte.

Quem pensa que precisa ir à África para fazer um safári engana-se: Berlim também proporciona esse tipo de passeio. No cair da noite, ela é invadida por habitantes inusitados. Lembro até hoje da primeira vez que avistei um, quando voltava para casa de uma festa.

Caminhando lentamente, o avistei vindo em direção a mim. De longe pensei se tratar de um cachorro de rua, mas recordei que aqui não há cães abandonados. Ao me aproximar, reconhecei a raposa que passou tranquilamente, sem se importar com minha presença, e continuou seu caminho em direção a uma lata de lixo.

Depois dessa ocasião, já vi diversas raposas caminhando pelas ruas centrais da cidade. Certa vez, atravessando o parque Tiergarten, avistei um exemplar deslocando-se na espreita em direção a um grupo de coelhos. Não fiquei para ver o desenrolar do episódio. Mas acho que mesmo com uma ou duas mortes não seria tão trágico, pois os coelhos são quase como uma praga por aqui.

Além de raposas e coelhos, é possível encontrar javalis, fuinhas, guaxinins e castores. Estima-se que 20 mil espécies, entre elas 180 tipos de aves e mais de 50 de mamíferos, fizeram da cidade seu habitat.

E quem mora na capital não quer sair daqui. Em Berlim, há cinco vezes mais raposas do que em áreas verdes ao redor da cidade. O motivo dessa insistência pela vida urbana é óbvio: a facilidade em encontrar alimentos, devido à abundância de lixo e pequenos roedores.

Mas a vida na cidade pode ser dura às vezes. Alguns desses moradores se envolvem com a criminalidade e acabam estampando as páginas de polícia nos jornais. Há dois anos, o zoológico da capital foi invadido por raposas em busca de alimento. As meliantes atacaram animais que estavam nas jaulas. Em uma semana, fizeram 40 presas, entre patos, pinguins e até cangurus. Já as fuinhas são aliadas de ativistas antiautomóveis. As marginais dormem dentro de capôs e quando a fome bate comem os cabos.

Apesar de toda a violência, os riscos ao homem são pequenos, pois os selvagens estão acostumados a dividir o espaço urbano. Mas por segurança, o melhor mesmo é se manter longe, nada de tentar fazer carinho. Importante também é não alimentá-los. A dica vale para evitar problemas com as autoridades: alimentar animais selvagens é proibido e a multa pode chegar a 5 mil euros.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às sextas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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