Utopia ou visão? Precisa África de um plano Marschall?

Adrian Kriesch

O ministro alemão da Cooperação e Desenvolvimento, Gerd Müller, visitou o Senegal, o Niger e o Ruanda. Durante a viagem falou da necessidade de se mudar de paradigma na política de desenvolvimento.

Gerd Müller anda sobre a terra seca de um agricultor em Cayar, uma pequena cidade no Senegal. Após alguns metros alcança a parte verde do campo, bem regada graças a uma bomba de água, alimentada a energia solar, financiada pelo programa de desenvolvimento alemão. O agricultor congratula-se que as colheitas tenham melhorado.Também o ministro fica satisfeito e pega numa mangueira para regar a terra. Boas imagens para os jornalistas que o acompanham. "Nós queremos ver em concreto para onde vai o dinheiro, diz o ministro. "Nenhum dinheiro deve ir para canais corruptos, nós queremos ver progressos no desenvolvimento.

Sair da lógica dos pequenos projetos

Projetos como bombas de água alimentadas por energia solar existem aos milhares em África. Só em 2014 quase 2,3 mil milhões de euros de financiamento alemão foram destinados ao continente. E quando o ministro está de visita, como na viagem ao Senegal, Niger e Ruanda que terminou esta quinta-feira (11.08), vai ver com os próprios alguns projetos.

Mas Gerd Müller quer mais, quer sair da lógica dos pequenos projetos e avançar para um plano Marschall para África. Há 69 anos o então Secretário norte-americano, George Marschall, desenvolveu um plano de recuperação europeia no pós-guerra.O plano foi bem sucedido, mas será adequado a África?

Para já a ideia já tem um apoiante: o presidente senegalês Macky Sall. "Nós precisamos de um impulso inicial sob a forma de investimentos para que a nossa economia se possa desenvolver. Quando eu disse, para que não estejamos dependentes de ajuda ao desenvolvimento era com a intenção de fazer um apelo ao trabalho. Nós temos de fazer mais, de mobilizar as nossas próprias forças. Naturalmente precisamos de tempo. Mas isso não entra em contradição com a necessidade de reforçar os investimentos". Müller acena com satisfação enquanto escuta as palavras de Sall. "A cooperação internacional para o desenvolvimento com o continente africano tem de ser concebido numa nova dimensão", disse mais tarde. Para tal são necessárias três componentes: uma ofensiva económica sob o slogan "comércio justo" para que se desenvolvam no continente cadeias de valor, os investimentos estrangeiros maciços e uma evolução da política de desenvolvimento.

Uma velha discussão

Os economistas de desenvolvimento discutem há anos esta questão. Especialmente sobre a possibilidade de se concentrar mais no desenvolvimento económico e menos na ajuda ao desenvolvimento tradicional. Muitos deles vêem a ideia como pouco realista.

Fatouma Sy Guère da Fundação Konrad Adenauer adverte, "cada solução que seja pensada para África, tem que ser muito bem pensada: Porque não se pode simplesmente importar ideias. Esse é o problema da ajuda ao desenvolvimento. A ajuda vem, mas muitas vezes não está adequada ao africano seja em termos culturais ou religiosos. Por exemplo o que é válido para o Senegal pode não ser válido para o Mali".

No Outono o ministério alemão da Cooperação deverá apresentar um conceito que abranja a mudança de paradigma na política desenvolvimento.

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