Brexit pode se arrastar até 2019

Negociadores não estariam prontos para iniciar conversas com Bruxelas já no inicio de 2017, como previsto. Data da saída do Reino Unido da UE também dependeria do resultado das eleições alemãs e francesas.

O Reino Unido poderia permanecer na União Europeia (UE) até o "fim de 2019", quase um ano depois do previsto pelo governo britânico, publicou o jornal The Sunday Times neste domingo (14/08).

O texto diz que a primeira-ministra britânica, Theresa May, está se preparando para recorrer em janeiro do ano que vem ao artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece que qualquer Estado-membro pode deixar o bloco de forma voluntária e unilateral num prazo de dois anos. Mas ministros ouvidos pelo jornal adiantaram que, apesar da pressão para que o prazo seja cumprido, até início de 2019, May será forçada a adiar o Brexit.

O motivo seria o despreparo do departamento do Brexit, unidade criada pela premiê para conduzir as negociações com Bruxelas, que estaria numa "situação caótica" para iniciar as conversas no curto prazo.

"Eles não têm infraestrutura para as pessoas que eles pretendem contratar. Eles dizem que nem sabem as perguntas certas a fazer quando eles finalmente começarem a negociar com a Europa", informa uma fonte que teve conversas com os ministros.

Outro impedimento são as eleições na Alemanha e na França no ano que vem. O Reino Unido não deve invocar o artigo 50 até que a França vote em maio ou até as eleições alemãs em setembro, escreve o jornal, citando os ministros. "Não se pode negociar quando não se sabe com quem se vai negociar", justificou uma fonte do governo.

David Davis, chefe do departamento do Brexit, Liam Fox, ministro do Comércio Internacional, e o ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, também têm o desafio de encontrar parceiros comerciais globais para o país após sair da UE.

A possibilidade de atraso do Brexit deve irritar a ala dura dos deputados conservadores e parte do eleitorado que votou a favor da saída no referendo de 23 de junho.

O eurodeputado Nigel Farage, ex-líder do partido UKIP, afirmou que existe um "perigo real" que milhares de jovens se radicalizem e se unam a organizações extremistas, caso o governo ignore a decisão das urnas.

Um porta-voz da primeira-ministra lembrou que May "deixou claro" que a prioridade do seu governo é respeitar a voz do eleitorado e garantir que o Brexit seja "um sucesso".

KG/efe/st

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