Gás explorado no sul de Moçambique não beneficia população

Luciano da Conceição (Inhambane)

A multinacional sul-africana Sasol exporta a maior parte do gás natural explorado. A população da província moçambicana de Inhambane também denuncia a não contratação de mão de obra local para a fábrica.

A população de Inhambane não está a beneficiar do gás natural produzido pela multinacional Sasol, que anualmente produz mais de 188 milhões de gigajoules. Segundo a direcção da empresa, o gás está a ser exportado para países vizinhos.As comunidades mostram-se indignadas porque quando a empresa se instalou na região, foram feitas promessas que agora não estão a ser cumpridas.

O centro de processamento de gás natural de Temane está localizado a apenas quatro quilómetros do distrito de Maimelane. Mas os residentes desta localidade não estão a beneficiar do gás explorado pela multinacional sul-africana Sasol. O mesmo acontece com os moradores dos distritos de Vilankulo e Govuro, também na província de Inhambane.

"Não temos gás aqui em Vilankulo. Onde é que nós vamos comprar gás?", questiona Nhama Mafunga, um residente local, que lamenta a situação e critica o silêncio do Governo. "O gás sai aqui mesmo pertinho - daqui à fábrica são quatro quilómetros - e não temos gás. A Sasol nunca falou que haverá gás ou nada. O Governo aqui também nunca falou. Estamos a sofrer, tendo que cozinhar com lenha", denuncia Mafunga.

Promessas não cumpridas

Foram feitas várias promessas aos moradores, mas até ao momento nem todas foram cumpridas, critica Rebeca Alexandre, residente em Pande.

"Por exemplo, energia só tem aqui nas barracas, nas nossas casas ainda não temos. Resta saber se de verdade essa promessa do gás vai chegar nas nossas casas enquanto ainda estamos vivos ou não", questiona a moradora.

Na comunidade de Vulajane, o morador João Matsinhe,queixa-se dos mesmos motivos: "Em Vunjane, ainda não disseram nada em relação ao fornecimento de gás para os distritos".

Além de não se beneficiar do gás, a população do distrito de Inhassoro queixa-se de exclusão nos postos de trabalho. Na semana passada, durante a visita do Presidente moçambicano a Inhambane, a população entregou uma mensagem a Filipe Nyusi a denunciar a "falta de transparência na contratação dos trabalhadores pela empresa Sasol".

A Presidência da República informou que recebeu as informações enviadas pela população e que vai averiguar a pertinência das críticas.

O diretor da fábrica de processamento de gás natural explorada pela Sasol em Temane, Francisco Augusto, não quis comentar as queixas da população. Ele explicou que o produto purificado é vendido para fora do país.

"Nós fazemos a separação dos produtos impróprios ou não inadequados para o uso e deixamos o gás já purificado. Posteriormente é exportada uma parte e outra é usada internamente para consumo doméstico".

O gás também é exportado para a vizinha África do Sul, onde a maioria do gás é consumido. "Para além do gás natural, também temos o gás condensado que é exportado através do porto da Beira", esclareceu o diretor.

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