Qual é a solução para o impasse político na Guiné-Bissau?

Braima Darame (Bissau)

Analistas se dividem entre queda de Governo de Baciro Djá e dissolução do Parlamento para resolver o problema de governação no país. Formação de um novo Governo de Unidade Nacional é defendida pelo PAIGC e PRS.

Desde a demissão do primeiro governo constitucional do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) a 12 de agosto de 2015, a Guiné-Bissau tem andado de governo em governo, de processos judiciais aos acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça, deixando o país refém da classe política.

Depois da queda dos governos de Domingos Simões Pereira, de Baciro Djá e de Carlos Correia, a crise política persiste sem fim à vista. Analistas apontam novamente a queda do atual governo liderado por Baciro Djá como solução para o desbloqueio da situação. Outros, consideram a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições legislativas como a única solução viável.

Os dois principais partidos no Parlamento guineense admitem que a formação de um novo Governo de Unidade Nacional seja talvez a solução adequada a ser equacionada pelas partes desavindas. Sob a mediação do representante das Nações Unidas no país, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido da Renovação Social (PRS) aceitaram abordar assunto com jornalistas.

Jorge Malú, dirigente do PRS, diz que ainda não há uma proposta oficial neste sentido, mas se for para viabilizar a política no país, terá o "sim" do partido. "O PRS está aberto a qualquer solução que possa trazer paz para este país e desbloquear a situação", afirmou.

"Sem pernas"

Carlos Correia, antigo primeiro-ministro demitido pelo Presidente da República, José Mário Vaz, afirma que o atual Governo de Baciro Djá não tem condições de seguir adiante, daí a necessidade de ser formado um governo de Unidade Nacional. "Devemos chegar a um entendimento sobre a formação de um novo governo. Pelo visto, o atual Governo já não tem pernas para andar", observou.

Por seu turno, Vítor Mandinga, deputado do Partido de Convergência Democrática (PCD), a única solução seria a dissolução do Parlamento. "As providências e as medidas constitucionais que o Presidente tomou esgotaram-se. Ao Presidente da República resta-lhe uma única solução final: a dissolução da Assembleia", diz.

Devido às divergências entre o PAIGC e o PRS, o Parlamento guineense não tem conseguido funcionar há mais de um mês, levando o governo de Baciro Djá a cair na ilegalidade por não conseguir aprovar, no prazo de 60 dias estipulado na Constituição, o seu programa de governo.

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