Turquia pede à Alemanha apoio contra teólogo opositor

Desde golpe fracassado, governo Erdogan já prendeu 40 mil adeptos de Fethullah Gülen, e metade segue detida. E há semanas tenta obter colaboração na perseguição a seus inimigos em solo alemão. Até o momento, em vão.

O serviço secreto da Turquia, o MIT, pediu ao Departamento Federal de Investigações da Alemanha (BND) ajuda no combate ao chamado "movimento Gülen", como são conhecidos os adeptos do teólogo islâmico Fethullah Gülen. A informação parte da revista alemã Der Spiegel, com base em documentos secretos a que seus repórteres tiveram acesso.

Estes revelam que agentes de inteligência turcos apelaram ao BND para que motive tomadores de decisões e legisladores da Alemanha a agirem contra e entregarem os adeptos do teólogo, muitos dos quais teriam fugido para o exterior, segundo o MIT.

Embora até o momento sem apresentar provas corroborativas, o presidente Recep Tayyip Erdogan responsabiliza o pregador e ativista autoexilado nos Estados Unidos e seus correligionários pela tentativa fracassada de golpe de Estado de 15 de julho último.

Há semanas Ancara tenta angariar o apoio da Alemanha e de outros países na perseguição ao movimento que leva o nome do antigo aliado de Erdogan. Desde meados de julho, as autoridades turcas enviaram 40 mandados de busca e extradição ao governo alemão, prossegue a Spiegel. O cônsul-geral turco Ufuk Gezer igualmente alertou diversas vezes o Ministério do Exterior em Berlim contra Gülen.

Em 11 dos 16 estados alemães, entre os quais a Renânia do Norte-Vestfália, Hesse e Saxônia, diplomatas da Turquia procuraram os governos estaduais para tentar promover uma investida conjunta contra os opositores de Erdogan. No entanto, todos os governos em questão teriam rejeitado a solicitação de colocar o "movimento Gülen" sob observação do Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV).

40 mil detenções na Turquia, ingerência na Alemanha

De acordo como o primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, já foram detidas mais de 40 mil suspeitos no âmbito das investigações contra os seguidores de Gülen. A metade deles foi mantida em prisão preventiva.

Na Alemanha, há 150 mil pessoas conectadas ao movimento educativo Hizmet (serviço, no idioma turco), fundado por Gülen e que mantém cerca de 30 escolas e 150 associações de apoio escolar em território alemão, assim como muitas outras na Turquia e em outras nações.

Antes da matéria da Spiegel, tanto o prefeito de Berlim, Michael Müller, quanto o governador de Baden-Württemberg, Winfried Kretschmann, já haviam relatado abertamente sobre tentativas de ingerência por parte do governo turco.

O social-democrata Müller revelou que um representante de Ancara sondara se o estado de Berlim estaria disposto a adotar medidas contra o movimento, especificamente no contexto das instituições de ensino.

Em Stuttgart, o cônsul-geral da Turquia requisitou do governo verde-conservador que submetesse a uma sindicância associações, escolas e instituições supostamente "operadas" pelos adeptos de Gülen. Kretschmann, porém, recusou a solicitação.

AV/afp/dpa

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