Jogos Olímpicos na imprensa alemã: dia 16

Philip Verminnen

Jornais e sites da Alemanha destacam recuperação do orgulho e da autoestima pelos brasileiros e criticam presidente do COI por seu "balanço cor de rosa" da Rio 2016.

A imprensa da Alemanha destacou neste domingo (21/08), 16º dia dos Jogos Olímpicos, que Neymar recuperou o orgulho perdido do futebol brasileiro, mas também criticou a tentativa do presidente do Comitê Olímpico internacional (COI), Thomas Bach, de esconder defeitos e problemas dos Jogos do Rio de Janeiro.

FAZ: Neymar devolve o orgulho - e acerta as contas [com os críticos]

"Por dois anos os brasileiros sofreram com a vergonha imposta pela seleção alemã na Copa do Mundo. A vitória olímpica trouxe a reconciliação com os torcedores. E o papel principal na dramática final coube a Neymar. Em seguida, ele respondeu às críticas.

Neymar sorri como se fosse ele quem mais sentisse a satisfação. Ele sabia que tinha acabado de devolver à grande nação do futebol o seu orgulho perdido. 'Agora vocês vão ter que me engolir', disse, após a conquista, em alusão aos críticos. Depois de um início ruim nos Jogos Olímpicos, Neymar foi duramente criticado. Desde o fim da primeira fase, ele não falou mais com a imprensa. "Respondemos com futebol", disse depois do triunfo.

Süddeutsche Zeitung: "100% Jesus" - discussão por faixa de Neymar

"As regras nos Jogos Olímpicos são claras: O COI proíbe mensagens religiosas na competição. A celebração missionária do ouro do Brasil no futebol, por Neymar, pode resultar em consequências.

As regras do COI proíbem isso [a faixa na cabeça com uma mensagem religiosa]. 'Qualquer violação das disposições pode levar à desqualificação e à retirada da acreditação da pessoa em causa', diz um trecho da regra 50.3 da Carta Olímpica. As decisões são tomadas pela Comissão Executiva do COI. Elas não são contestáveis.

A regra 50.3 já foi alvo de discussões nos Jogos do Rio de Janeiro. Cartazes de manifestações contra o presidente interino Michel Temer foram proibidos nas arenas. 'Esperamos e acho que todos nos estádios e em todas as partes do mundo entendam que os Jogos não devem ser palco para debate político', alegou o COI."

Die Welt: Derrota é uma pena, mas tem algo de bom

"A seleção alemã esteve bem próxima do triunfo olímpico. Mas, no final, perdeu para si mesma. Para o Brasil, a conquista foi o final perfeito para os Jogos - e muito mais do que apenas futebol.

O Brasil não foi dominante. A Alemanha jogou de igual para igual, algo nada óbvio, dada a atmosfera da multidão de 80 mil torcedores frenéticos no Maracanã. Faltou sorte aos alemães tanto na partida, com diversas finalizações parando no travessão, como na decisão por pênaltis.

Desta vez, a Alemanha saiu derrotada. Isso é uma pena, mas tem algo de bom. Para os brasileiros, o título olímpico significa muito mais do que apenas a vitória num jogo de futebol. É um bálsamo para a alma maltratada e uma vitória para a autoestima machucada.

As coisas não estão bem no Brasil. O país está enfrentando muitos problemas; afundado numa crise contínua. Portanto é ótimo que as pessoas possam se orgulhar de algo novamente. E mesmo que seja apenas um jogo de futebol vencido. Aqui no Brasil, às vezes, isso realmente vale muito."

Spiegel Online: Balanço do COI: sonho cor de rosa de Bach

"Quando o presidente do COI, Thomas Bach, afirma que os Jogos Olímpicos custaram nada ao contribuinte, ele simplesmente se refere ao orçamento da organização, que abrange apenas uma fração dos custos gigantescos, que totalizam cerca de 20 bilhões de dólares.

Um dos repórteres investigativos brasileiros mais famosos, Jamil Chade, que trouxe à tona muitos escândalos sobre a máfia no futebol e os Jogos do Rio, prevê inúmeros processos por corrupção. Inúmeros documentos sobre corrupção envolvendo os Jogos Olímpicos se acumulam na Procuradoria-Geral - e trarão problemas também ao presidente do Comitê Organizador e do COB, Carlos Arthur Nuzman.

No país famoso por sua hospitalidade, estes Jogos serviram especialmente às elites ricas, que disputaram diversos contratos olímpicos para suas empresas, e aos cartolas, como é chamada a casta corrupta dos dirigentes esportivos.

Assim, terminam os Jogos do Rio (por enquanto, porque o desenrolar jurídico segue) com um ato que demonstra melhor do que qualquer outro a desonestidade e a falta de confiança na marca: na cerimônia de encerramento, a saltadora russa Yelena Isinbayeva, banida dos Jogos de 2016 pela Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), fará o juramento olímpico como novo membro do COI."

Süddeutsche Zeitung: Presidente do COI embeleza os Jogos para si mesmo

"O presidente do COI tem uma imagem incomum dos Jogos do Rio. Para muitos problemas, ele parece ter sido acometido pela cegueira. Isso levanta a questão: onde ele estava todo esse tempo?

Não, não e novamente não. Os Jogos do Rio não foram um sucesso de público. As condições para os atletas não foram sempre boas. E os atletas também não estiveram sempre em união. Pelo contrário. Eles estiveram mais brigados do que nunca. E também deve ser posta em dúvida que os cariocas são gratos exclusivamente ao COI por todos os novos metrôs, ônibus e ruas. No final das contas, o país inteiro pagará uma elevada fatura pela festa olímpica."

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