Líderes europeus afirmam que UE deve ignorar eurocéticos

Em reunião, Merkel, Renzi e Hollande afirmam que Brexit não é o fim da União Europeia e defendem cooperação maior entre os países do bloco em segurança e na criação de oportunidades para jovens.

Os líderes das três maiores economias da zona do euro - Alemanha, Itália e França - afirmaram nesta segunda-feira (22/08) que a União Europeia (UE) deve ignorar os populistas de direita que culpam Bruxelas por todos os problemas da região e ressaltaram que a UE não acabou com a decisão do Reino Unido de deixar o bloco.

"Muitos pensaram, depois do Brexit, que a Europa estava acabada. Não é esse o caso", declarou o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, após o encontro com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande.

Na reunião a bordo do porta-aviões Garibaldi, estacionado no arquipélago de Ventotene, os líderes discutiram o futuro da União Europeia, após a decisão dos britânicos de, em referendo realizado em junho, apoiar o chamado Brexit.

"Respeitamos a decisão do Reino Unido, mas queremos deixar claro que os outros 27 membros contam com uma Europa próspera e segura", ressaltou Merkel.

Segurança e economia

Os líderes defenderam uma cooperação maior no setor de segurança, diante os recentes ataques terroristas. O presidente francês afirmou que a UE precisa proteger melhor suas fronteiras e que os serviços de inteligência necessitam trabalhar mais em conjunto. "Queremos uma coordenação maior na luta contra o terrorismo", ressaltou.

Merkel afirmou que a UE enfrenta atualmente desafios enormes. "Precisamos fazer mais para nossa segurança interna e externa. A cooperação na defesa deve ser reforçada e as trocas entre nossos serviços de inteligência precisam ser intensificadas", reiterou a chanceler.

Os três defenderam também medidas para estimular a economia, criando empregos, e para aumentar as oportunidades para os jovens. A reunião buscava preparar as bases para a cúpula europeia, agendada para o próximo mês em Bratislava.

O local da reunião desta segunda-feira é carregado de simbolismo. O arquipélago abrigava a prisão onde, em 1941, os esquerdistas italianos Altiero Spinelli e Ernesto Rossi elaboraram o chamado Manifesto Ventotene, que clamava por uma Europa onde os países se unissem em Estados federativos, como meio de evitar guerras no futuro.

O manifesto, escrito em papéis de cigarro, foi contrabandeado para o continente pela ativista antifascista alemã Ursula Hirschmannn, que o repassou à resistência italiana.

Esse foi o primeiro encontro de Merkel com líderes europeus para discutir o futuro do bloco após a saída do Reino Unido. Nos próximos dias, a chanceler irá à Estônia, à República Checa e à Polônia e receberá líderes dos países nórdicos, da Holanda, da Áustria e de outros países do leste europeu.

CN/rtr/afp/ap/lusa

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