Após terremoto, Itália pede que UE flexibilize regras de endividamento

Custos de reconstrução e, sobretudo, prevenção de futuros abalos podem chegar a centenas de bilhões de euros. Roma pede permissão para priorizar esses gastos, excedendo os limites do Pacto de Estabilidade da UE.

Já antecipando os custos elevados que acarretará o recente terremoto, o governo da Itália pediu à Comissão Europeia que o libere provisoriamente de respeitar os limites de endividamento previstos no Pacto de Estabilidade e Crescimento, de 1997. Este estipula 60% do Produto Interno Bruto (PIB) como teto máximo para o déficit público nos 28 Estados-membros da União Europeia.

Na avaliação de Roma, essa meta se tornou praticamente inalcançável desde o abalo sísmico de magnitude 6,1, ocorrido na quarta-feira (24/08) no centro do país, atingindo as regiões do Lácio, Úmbria e Marcas.

"Não se trata de gastar indiscriminadamente", explicou o vice-ministro italiano da Economia, Enrico Zanetti, em entrevista ao jornal La Stampa. A questão é, antes, reagir ao perigo de novos tremores com os investimentos necessários em prevenção. Senão, "estaremos obrigados a fazer escolhas alternativas, penalizando outros investimentos, coisa que o país não pode se permitir", frisou o político.

Peritos projetam custos bilionários e anos de obras para a recuperação das áreas afetadas. Além disso, para reforçar a segurança sísmica dos edifícios residenciais das áreas mais ameaçadas, seriam necessários investimentos de até 360 bilhões de euros.

Nas regras europeias de endividamento já estão previstas exceções em caso de catástrofes naturais e reconstrução. Apelando ao bom senso da Comissão Europeia, contudo, o governo de Matteo Renzi deseja estender essas cláusulas a medidas preventivas antiterremotos.

O tremor de 24 de agosto causou um total de 290 mortes, a maioria na localidade de Amatrice, situada 149 quilômetros ao nordeste de Roma. O centro da Itália é extremamente sujeito a abalos sísmicos, que no passado já causaram outras catástrofes de grandes proporções.Um exemplo recente é Áquila: devastada em 2009, durante o governo de Silvio Berlusconi, por um terremoto de magnitude 6,3 que deixou 309 mortos e mais de 1.600 feridos, ela ainda está longe de ter sido reconstruída.

AV/afp,rtr,ap,ots

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