Vice-premiê alemão critica política de Merkel para refugiados

Falando à TV, líder social-democrata se distancia de abertura incondicional de fronteiras, acusando chefe de governo de subestimar os desafios resultantes. Além disso, Gabriel defende seu gesto obsceno para neonazistas.

O vice-chanceler federal da Alemanha, Sigmar Gabriel, criticou, em entrevista à televisão, a política da chefe de governo Angela Merkel para os refugiados: ela, seu partido, União Democrata Cristã (CDU), e a irmã bávara União Social Cristã (CSU) teriam subestimado os desafios impostos pela integração de um grande número de refugiados e migrantes.

"Nós sempre dissemos que é impensável nós, na Alemanha, acolhermos mais 1 milhão de pessoas a cada ano", declarou à TV ZDF. "Não basta eles dizerem o tempo todo 'Nós vamos conseguir', mas sim precisam criar as condições para que consigamos mesmo. E isso, a CDU/CSU bloqueou o tempo todo."

Defesa do dedo médio

Na entrevista que irá ao ar na noite deste domingo (28/08), o também presidente do Partido Social-Democrata (SPD) defendeu seu gesto obsceno para um grupo de arruaceiros neonazistas, pouco mais de duas semanas atrás: "Só fiz uma coisa errada: não usei as duas mãos", reforçou.

Durante uma visita à cidade de Salzgitter em 12 de agosto, o vice-chanceler federal foi atacado verbalmente por manifestantes de extrema direita, que o acusaram de estar "destruindo" o país, e evocaram o fato de o pai dele ter sido um nazista declarado. Gabriel reagiu mostrando ostensivamente o dedo médio da mão direita. A central do SPD defendeu o gesto de seu líder como uma "reação emocional", diante das "pesadas ofensas à pessoa e também à família de Sigmar Gabriel".

Há alguns anos, o político social-democrata passou a falar publicamente sobre sua difícil relação com o pai, que, além de abandonar a família, manteve-se adepto declarado da ideologia nacional-socialista, mesmo após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Gabriel tem sido igualmente exposto a hostilidades públicas devido à política para refugiados de Berlim. Em meados de 2015, atraiu para si a cólera da ultradireita ao classificar como "ralé" os responsáveis por uma arruaça contra um abrigo para refugiados na cidade de Heidenau, na Saxônia.

AV/afp,dpa

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