Gabão aguarda com ansiedade resultados das presidenciais

Maria João Pinto / Fred Muvunyi / RTR / AFP / EFE

O principal candidato da oposição, Jean Ping, proclamou-se vencedor frente ao Presidente cessante Ali Bongo, que também reclama vitória. Os resultados serão conhecidos terça-feira (30.08).

Jean Ping disse, esta segunda-feira (29.08), que "defenderá com todos os meios a sua vitória". "Apelo solenemtente ao Presidente Ali Bongo a render-se ao veredito das urnas e a reconhecer a sua derrota", escreveu o principal candidato da oposição das eleições presidenciais do Gabão na sua conta na rede social Twitter. Ping, de 73 anos, já acusou a Comissão Eleitoral Nacional de orquestrar "manipulações".

Os gaboneses aguardam com um misto de ansiedade e medo os resultados do escrutínio que deverão ser conhecidos na terça-feira (30.08). Depois de dois dias em que a capital parecia uma cidade fantasma, a vida em Libreville voltou à normalidade, esta segunda-feira (29.08), apesar de alguns estabelecimentos continuarem encerrados. Nas ruas não há sinais de reforço do dispositivo de segurança.

Cerca de 630 mil pessoas foram chamadas às urnas, no sábado (27.08), para escolher o próximo Presidente do Gabão, entre 10 candidatos. Os favoritos eram Ali Bongo, que há sete anos venceu as primeiras eleições após a morte do seu pai, Omar Bongo, Presidente do Gabão entre 1967 e 2009, e Jean Ping, um veterano político que serviu no Governo de Omar Bongo.

O golpe militar começou?

Este domingo (28.09), Jean Ping declarou-se vencedor. E o seu coordenador de campanha, Jean Gaspard Ntoutoume Ayi, afirma que haverá entre 15 a 20 pontos de diferença entre Ping e Bongo nos resultados das eleições, a favor do candidato da oposição.

Ayi alertou para um alegado golpe militar iminente: "Ali Bongo decidiu ignorar as eleições e manter-se no poder. Sabemos que o exército está pronto para ir para Libreville e Port-Gentil e para todo o país. É para isto que nós encaminhamos: a eleição terminou, o golpe de Estado começou".

O ministro do Interior do Gabão tem afirmado, repetidamente, que só os resultados divulgados pela comissão eleitoral e confirmados pelo seu ministério são válidos. Este domingo, Pacôme Moubelet voltou a sublinhar que é "ilegal proclamar resultados antes do anúncio das autoridades competentes".

Campanha de Bongo quer vitória

Mas também a equipa de Ali Bongo, que aspira ser reeleito para um segundo mandato de sete anos, já prevê que o Presidente cessante sairá vencedor das presidenciais. Em entrevista à televisão estatal, o porta-voz Alain Claude Bilie By Nzé afirmou mesmo que Bongo liderava, este domingo (28.08), em cinco das nove províncias do Gabão. E denunciou "fraude massiva" durante as eleições, especialmente nas assembleias de voto de bastiões da oposição.

Entretanto, após as declarações de vitória antecipada do rival, Jean Ping, Ali Bongo anunciou que aguarda calmamente os resultados oficiais.

"Estou calmo, claro. Dormi bem, estou confiante. Fiz uma excelente campanha", afirmou Bongo. "A lei do código eleitoral aplica-se a todos nós. E para uma maior segurança, convidámos muitos observadores, há mais de mil no país. Queremos ser acompanhados, de forma a garantir que o processo será correto e transparente. Isto é exatamente o que queremos", acrescentou o chefe de Estado gabonês.

Falta de transpartência

Tanto a União Africana como a União Europeia enviaram missões eleitorais para observar o desenvolvimento das eleições. Em comunicado, os observadores europeus disseram que o processo ficou marcado por falta de transparência dos órgãos de gestão eleitoral e por um evidente desequilíbrio de meios, a favor do Presidente Ali Bongo Ondimba.

Sem avançar detalhes, o ministério do Interior, Pacôme Moubelet, reconheceu a existência de fraude em algumas assembleias de voto, classificando, ainda assim, o processo eleitoral como "satisfatório e positivo".

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