Com viagem de Temer, Rodrigo Maia assume

Jean-Philip Struck

Com a confirmação do impeachment de Dilma, linha sucessória é alterada: cargo de vice vai ficar vago, e o primeiro lugar na fila passa ao presidente da Câmara dos Deputados.

O Brasil deve ter três diferentes presidentes no mesmo dia. Michel Temer pode ter tomado posse em definitivo nesta quarta-feira (31/08), mas o posto vai continuar a ser ocupado por um interino, pelo menos nos próximos dias.

Isso porque Temer deve viajar para a China ainda nesta quarta, horas após a votação que o confirmou como novo presidente no lugar da petista Dilma Rousseff.

Com isso, o posto deve ser ocupado interinamente pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O democrata deve ficar no posto até a próxima terça-feira, quando Temer voltar do país asiático após uma série de reuniões do G20. O primeiro compromisso oficial de Temer no Brasil já como presidente efetivo deve ser uma participação no desfile de 7 de setembro.

De acordo com a Constituição brasileira, o cargo de presidente deve ser ocupado por um interino quando o presidente estiver fora do país em compromissos internacionais.

Com a saída de cena de Dilma, a linha sucessória da Presidência vai passar por mudanças. Oficialmente, o cargo de vice vai ficar vago, assim o primeiro lugar na fila passa a ser ocupado por Maia. O segundo, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Já o terceiro vai caber ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

Escândalos

Maia não tem pendências com a Justiça, mas seu nome já apareceu em investigações da Operação Lava Jato. De acordo com uma reportagem da revista Época, ele trocou mensagens de celular com o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, para tratar de doações eleitorais. Pinheiro já foi condenado pela Justiça a 16 anos e quatro meses de prisão acusado de cometer os crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Maia, por enquanto, não está sendo oficialmente investigado.

Já Renan Calheiros enfrenta pelo menos oito inquéritos no STF por suspeita de participação no esquema de desvios na Petrobras. Em sua delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou que entregou mais de 30 milhões de reais em propina para Renan ao longo de dez anos.

O próprio Temer também apareceu na delação de Machado, que o acusou de pedir uma doação ilegal de 1,5 milhão de reais para a campanha de um candidato a prefeito de São Paulo em 2012. A revista Veja também informou que o empreiteiro Marcelo Odebrecht disse que Temer participou de uma reunião com executivos da empresa em que foi acertada uma doação de 10 milhões de reais em dinheiro ilegal para o PMDB.

O ex-senador Delcídio Amaral também mencionou o nome de Temer em delação premiada. Delcídio disse que o novo presidente teria indicado dois investigados na Operação Lava-Jato para cargos na Petrobras.

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