Governo satisfeito e oposição preocupada com registo eleitoral em Angola

Manuel Luamba (Luanda)

A atualização do registo eleitoral arrancou há uma semana em Angola. O Ministério de Administração do Território faz um balanço positivo do arranque do processo, mas a oposição queixa-se de irregularidades.

O processo de atualização do registo eleitoral arrancou na última quinta-feira (25.08) em todo o território angolano. Espera-se que mais de nove milhões de cidadãos atualizem os seus dados nesta fase. No total, o Plano Estratégico do Registo Eleitoral Oficioso 2016-2017 prevê o registo de 1,5 milhões de novos eleitores.

Na última segunda-feira, os jornalistas de vários órgãos de comunicação social públicos e privados atualizaram os seus dados e fizeram prova de vida. Os deputados à Assembleia Nacional também o fizeram, na última terça-feira, no Parlamento angolano.

Adão de Almeida, secretário de Estado para os Assuntos Institucionais e Eleitorais do Ministério da Administração do Território, faz um balanço positivo do arranque da atualização do registo eleitoral.

"Cresce todos os dias a mobilização das pessoas em torno do registo eleitoral, cresce igualmente o nível de informação das pessoas e há, sobretudo, uma adesão crescente em relação a este processo", disse Adão de Almeida à imprensa.

Processo credível?

Em Luanda, ainda há muitos cidadãos que não querem atualizar os seus dados por duvidarem da credibilidade do registo levado a cabo pelo executivo angolano. Mas Adão de Almeida diz que "os números começam a falar por si em relação a esta matéria" - segundo o governante, regista-se uma média de vinte mil atualizações e provas de vida por dia.

A oposição angolana queixa-se de irregularidades nesta primeira fase da atualização: a Lei estabelece cinco dias para que se emitam as credenciais aos fiscais dos partidos políticos, mas apenas alguns foram credenciados.

O secretário para os Assuntos Eleitorais da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Vitorino Nhany, não tem dúvidas de que "o processo vai mal".

"É preciso que dialoguemos no sentido de podermos ultrapassar as dificuldades que temos agora, para podermos evoluir para um processo transparente", afirma. "É necessário que isso se faça porque no quadro dos pilares da democracia. O primeiro diz: 'realização de eleições livres e transparentes e periódicas'. Nós precisamos de transparência para que, de facto, o povo acredite nos políticos."

Apesar disso, Nhany apela ao registo: "A melhor forma de sancionarmos quem está a castigar o povo é irmos para o registo eleitoral."

Os cidadãos que se registaram em 2012 e perderam os cartões poderão fazê-lo a partir de outubro. A primeira fase do registo eleitoral prolonga-se até dezembro. As eleições gerais estão previstas para 2017.

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