1944: Programa Morgenthau para a Alemanha pós-guerra

Michael Marek (gh)

Em 2 de setembro de 1944, o secretário do Tesouro dos EUA apresentou um plano de 14 pontos para a Alemanha pós-guerra. Entre eles estavam a completa desmilitarização do país e o desmonte de seu parque industrial.

A reação do ministro nazista da Propaganda, Joseph Goebbels, foi de indignação. "Nos últimos dias, tomamos amplo conhecimento dos planos dos inimigos - o plano do judeu Morgenthau - de privar 80 milhões de alemães de sua indústria e transformar a Alemanha numa lavoura de batatas", declarou.

De fato, o Plano Morgenthau continha determinações restritivas para o pós-guerra. Ele previa a divisão da Alemanha em dois Estados (Alemanha do Norte e do Sul), ambas autônomas e com base federativa, e consideráveis renúncias territoriais - no oeste, à França; e, no leste, à Polônia e à União Soviética.

Os alemães seriam submetidos a trabalhos forçados para reparar danos de guerra no exterior. Morgenthau também exigia uma reforma agrária a favor da pequena e média propriedade. O ponto central, no entanto, era o desarmamento completo das Forças Armadas para desmantelar o potencial agressor da Alemanha.

"Além do aspecto econômico, ele exigia um desarmamento industrial. Não só pretendia proibir como também desmontar imediatamente indústrias puramente bélicas. Outro capítulo descrevia detalhadamente o desmantelamento dos cartéis e a punição dos criminosos nazistas. Mas não mencionou em nenhum momento a destruição do parque industrial, a criação de um celeiro ou uma área agrícola na região do Ruhr", relata o cientista político Bernd Greiner, de Hamburgo.

População também responsável pelo Holocausto

Na questão da "desnazificação", Morgenthau foi contra a teoria segundo a qual apenas a elite criminosa, isto é, os líderes e autoridades do regime e do partido nazista seriam responsáveis pelo Holocausto. Para ele, os culpados estavam não só no Exército, na burocracia estatal e na indústria, mas também entre os oportunistas e conformados da sociedade alemã. Suas propostas visavam uma política dos quatro "d": desmilitarização, desnazificação, descartelização e democratização.

Segundo Bernd Greiner, tratava-se de uma concepção política radicalmente diferente do pensamento dominante no pós-guerra. Não se satisfazia com a mera assinatura de tratados bem intencionados a nível diplomático, mas afirmava que esses acordos de paz só poderiam ser realizados se fossem criadas as condições materiais para tal.

Informações sobre Auschwitz desde 1942

O profundo conhecimento do extermínio dos judeus europeus desempenhou um papel central no pensamento de Morgenthau. Já no final de 1942 ele e seus funcionários na Secretaria norte-americana do Tesouro tinham informações seguras sobre as "fábricas da morte" de Auschwitz e outros lugares.

Desesperado, Morgenthau pediu ao Ministério da Guerra o bombardeamento das câmaras de gás de Auschwitz e das linhas ferroviárias rumo à Polônia. Em seguida, elaborou um projeto de lei para o presidente Franklin Roosevelt, que mais tarde seria conhecido como Plano Morgenthau.

Mesmo sabendo que seus planos sofreriam forte resistência, o secretário tentou provocar seus adversários no Departamento de Estado e no Ministério da Guerra, todos favoráveis a um acordo com a Alemanha.

Ele argumentava que o genocídio e a guerra de agressão não deveriam ficar sem castigo. Morgenthau concentrou todos os seus esforços intelectuais para polemizar o assunto. "Não existe normalidade à sombra do extermínio", dizia.

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