Cidades alemãs sofrem com perda de impostos da Volkswagen

Chris Cottrell (ca)

Wolfsburg, cidade-sede da Volks, não é a única a sentir as consequências do escândalo de emissões de carros a diesel. Outros municípios alemães que abrigam unidades da montadora também estão revendo seus orçamentos.

Para muitas cidades alemãs, era uma bênção abrigar uma das unidades de produção da Volkswagen. Acompanhando o vertiginoso aumento dos lucros da montadora, a arrecadação fiscal desses municípios disparava. Esse superávit era saudado pelos moradores, que desfrutavam de benefícios fiscais e generosos subsídios para todo tipo de coisa, de cuidados infantis a custos de sepultamento.

Mas tudo isso está mudando, agora que o maior fabricante europeu de automóveis enfrenta tempos de vacas magras. Em 2015, a Volks registrou um prejuízo líquido de 1,6 bilhão de euros (5,8 bilhões de reais). Foi a primeira vez, desde 1993, que a montadora de Wolfsburg registrou um ano completo de perdas.

Além disso, a Volks teve que reservar 16,4 bilhões de euros para cobrir indenizações e custos adicionais relativos ao escândalo de manipulação de dados de emissões de CO2 dos automóveis a diesel. De acordo com pesquisa da agência alemã de notícias DPA, as cidades que antes confiavam na receita fiscal proveniente da Volks se veem agora forçadas a aumentar vários impostos para compensar o déficit em seus orçamentos.

Receita em falta

A municipalidade de Wolfsburg, por exemplo, registrou uma queda de 80% na receita líquida de impostos sobre a atividade comercial. Em vez dos 253 milhões de euros arrecadados pela administração fiscal em 2014, quando a Volkswagen ainda equipava seus carros com dispositivos defeituosos, somente 52 milhões foram registrados no ano passado.

Embora as autoridades fiscais não revelem quanto dessa queda é resultado direto da precária situação financeira da montadora alemã, elas admitem que a fabricante de automóveis é um pilar central da economia local.

Para os contribuintes de Wolfsburg, a receita faltante está se manifestando num acréscimo das despesas para cuidados infantis, dos impostos sobre a propriedade e das taxas de estacionamento. Mesmo ter um cachorro vai ficar mais caro: o assim chamado "imposto canino" vai aumentar 20% para o primeiro animal doméstico e 24% para um adicional.

Um aperto de cintos similar também está acontecendo em Ingolstadt, onde está sediada a Audi, subsidiária da Volks. Em Osnabrück e Salzgitter, a situação não é diferente. Ali se encontram unidades da montadora que produzem, respectivamente, o SUV Tiguan e os caminhões TGS e TGX da subsidiária MAN.

Até morrer ficou mais caro

Na cidade de Weissach, no estado de Baden-Württemberg, no sul da Alemanha, a Porsche, subsidiária da Volks, opera um centro de pesquisas com cerca de 5,5 mil funcionários. Ali, as autoridades fiscais falam de uma "perda completa dos impostos comerciais da Volkswagen".

Enquanto em 2014 o município arrecadou 70 milhões de euros da Volkswagen, essa quantia baixou para 38,8 milhões de euros em 2015, e se espera que caia ainda mais. Este ano, Weissach espera arrecadar reles 1,5 milhão de euros em impostos sobre a atividade comercial da montadora.

Com a perda de receita, muitos subsídios também foram cortados em Weissach. Até mesmo o preço de uma cremação fúnebre saltou de 145 para 420 euros.

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