Em 13 anos no poder, PT minou o próprio legado

Jean-Philip Struck

Petistas promoveram avanços na área social reconhecidos internacionalmente. Mas viram conquistas econômicas da era Lula se diluírem com Dilma e incentivo ao combate à corrupção ser manchado por escândalos.

Com o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o ciclo de pouco mais de 13 anos do PT à frente do governo chegou ao fim. Nesse período, o país passou por profundas transformações sociais e econômicas. Veja abaixo o legado que o governo comandado pelos petistas deixou para o Brasil.

Área social

As gestões petistas trouxeram a questão social ao centro dos debates políticos. O governo Lula lançou o Bolsa Família, que é apontando pelas Nações Unidas como uma das principais medidas responsáveis por reduzir a pobreza extrema no país. Segundo o Banco Mundial, o número de pessoas vivendo nessa situação caiu 64% entre 2001 e 2013.

Outros indicadores sociais também experimentaram uma evolução positiva. A taxa de analfabetismo caiu de 11,6% para 8,1%. A expectativa de vida passou de 71,1 anos em 2003 para 75,2 anos em 2015. Já a taxa de mortalidade infantil caiu de 26,04 em 2002 para 13,82 em 2015.

No campo educacional, o Brasil também passou por vários avanços. O investimento público em educação saltou de 4,6% do PIB em 2003 para 6,2% em 2013. Houve uma política de incentivo a construção de universidades. Em 13 anos, foram criadas 20 instituições federais.

A criação de programas de incentivo à pesquisa e o aumento no volume de recursos também ajudaram a aumentar o número de mestres e doutores. Em 2003, o país formou cerca de 35 mil deles. Em 2014, foram quase 67 mil. Além de aumentar as vagas no ensino superior público, o governo turbinou programas de financiamento estudantil, como o FIES, que dispararam a partir de 2010, chegando a 17,8 bilhões em 2014.

Economia

O legado do PT para a economia é mais complexo, já que os governos Lula e Dilma tiveram condutas bastante contrastantes. Quando assumiu, Lula se comprometeu a seguir a linha adotada pelo seu antecessor, FHC, que previa metas de inflação e superávit primário. Com o boom das commodities, houve crescimento econômico. O país passou a acumular boas notas entre agências e ganhou elogios de banqueiros. Entre 2003 e 2015, passou de 13° economia do mundo para o 9° lugar.

Sob Lula, o país passou a acumular mais reservas internacionais. Elas eram de meros 37,65 bilhões de dólares em 2003. No final de 2010, atingiram 299,5 bilhões de dólares. Já o PIB no governo Lula apresentou expansão média de 4% ao ano, entre 2003 e 2010, superior aos anos FHC.

Mas parte das conquistas econômicas sob Lula começou a ser diluída na gestão Dilma a partir de 2011. A nova presidente lançou mão de uma nova matriz econômica, insistindo ainda mais em reduzir juros e congelar preços de energia e combustíveis para segurar a inflação. Também continuou com investimentos maciços em estatais. Boa parte das medidas, somada à queda das commodities e ao descontrole das contas públicas, acabou tendo resultados catastróficos a partir de 2014.

Ao longo dos seus 13 anos, o PT também deixou de lado reformas estruturais que poderiam ter dado mais dinamismo à economia. Sob Dilma, os números começaram a se deteriorar. O superávit que era de 101 bilhões de reais no final de 2010 passou para um resultado negativo de -32,5 bilhões em 2014. A taxa de desemprego, que era 10,5 em 2003, foi reduzida para 5,3 no final do governo Lula, mas voltou a subir sob Dilma, atingindo 11,2 em maio de 2016.

Com os resultados negativos de Dilma, a média de crescimento do PIB sob o PT saiu arranhada. Em vez da expansão média de 4% observada sob a Lula, a média total dos 13 anos caiu para 2,9%, não muito superior à observada nos anos FHC.

Corrupção

Quando estava na oposição, o PT incentivava um discurso de ética na política. Apesar dos escândalos em que se envolveu, a gestão petista tomou medidas de impacto positivo. Sob Lula, a figura do "engavetador da república" saiu de cena. Por sugestão do Ministério Público, o ex-presidente passou a nomear procuradores-gerais indicados pelo próprio órgão. A Polícia Federal também passou a receber mais investimentos.

Lula também criou órgãos como a Controladoria-Geral da União (extinta sob Temer). Os governos petistas também incentivaram a aprovação de leis para combater a corrupção, como a Lei da Ficha Limpa, a Lei de Acesso à Informação, entre outras. Quando a Lava Jato já havia estourado, a presidente Dilma também evitou fazer mudanças no comando da PF e do MP.

Só que a série de escândalos que envolveram as gestões de Lula e Dilma acabaram manchando esse legado. Apesar do discurso de ética, a gestão petista fez poucos esforços para realizar uma reforma política ampla, preferindo fazer uso de velhos métodos questionáveis para governar, como a divisão de cargos ou o pagamento de subornos.

Os primeiros grandes escândalos - o dos Bingos e o Mensalão - estouraram ainda no primeiro governo Lula. Já sob Dilma, o país experimentou o maior escândalo de corrupção da sua história, o Petrolão, que mais uma vez envolveu políticos do PT e aliados de outras siglas.

Como resultado dos escândalos, três ex-tesoureiros do PT acabaram sendo presos. O Petrolão também ajudou a revelar a forma como a sigla e outros partidos se financiavam e a relação próxima com grandes empreiteiras.

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