G20 reconhece crise migratória como problema mundial

Refugiados foram um dos principais temas debatidos por líderes internacionais na China, além de economia, clima e Brexit. Bastante aguardado, pacto entre Rússia e EUA sobre conflito na Síria não é alcançado.

A reunião de cúpula do G20 na cidade de Hangzhou, no leste da China, chegou ao fim nesta segunda-feira (05/09). O encontro mais exclusivo e aguardado do ano viu líderes mundiais de países que representam 85% da economia global dialogando sobre as crises na Ucrânia, na Turquia e na Síria; sobre o Brexit, sobre as disputas territoriais no Mar do Sul da China; e, mais importante, sobre economia, clima e a crise migratória.

Crise Migratória

Ao final do encontro de dois dias, os líderes reconheceram que a crise dos refugiados é um problema mundial e pediram "esforços globais" para enfrentar suas causas e consequências. Com 65 milhões de deslocados no mundo, o número de refugiados chegou a "níveis históricos", segundo o documento assinado pela cúpula do G20.

Durante o debate sobre o tema, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, alertou que o sistema europeu de amparo está prestes a chegar ao seu limite e que os demais países não podem ficar à margem da crise. Ele pediu que o problema não fosse apenas reconhecido, mas que se tomem medidas concretas para resolvê-lo. Tusk citou os milhões de refugiados que a União Europeia (UE) acolheu e os bilhões de euros investidos no Oriente Médio.

A UE chegou à cúpula de Hangzhou com o objetivo de conseguir que o G20 fizesse mais para solucionar a crise migratória, pois considera que o bloco europeu e países como Turquia, Jordânia e Líbano carregam uma responsabilidade desproporcional. Por outro lado, alguns dos países mais ricos fizeram praticamente nada para tentar solucionar o problema, não recebendo um refugiado sequer.

"Tratamos a crise migratória e concordamos que temos que fazer mais para combater as causas da migração em massa", disse a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, em sua primeira visita à China como líder do governo britânico.

No entanto, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que o resultado do debate não é suficiente. "As medidas propostas para atenuar essa crise não foram rechaçadas por ninguém, mas nenhum país deu passos concretos a esse respeito", disse Erdogan, que teve que receber cerca de 3 milhões de deslocados vindos de Síria e Iraque, o que representou uma despesa de cerca de 25 bilhões de dólares para os cofres turcos.

Erdogan acusou os países ocidentais de adotarem uma "atitude de segurança racista" contra aqueles que buscavam asilo dentro de suas fronteiras, atitude que considerou "vergonhosa". "A Turquia continuará recebendo as vítimas dos conflitos sem nenhuma discriminação de procedência ou religião", afirmou.

Economia mundial

Os líderes mundiais entraram num amplo consenso em coordenar políticas macroeconômicas, mas houve poucas propostas concretas para atender aos crescentes desafios da globalização e do livre comércio.

Os líderes se manifestaram contrários a um retorno ao protecionismo e defenderam os conceitos de livre comercialização, além de salientar que a apática economia global precisa ser revitalizada com urgência. "Concordamos em apoiar o sistema de comércio multilateral e nos opormos ao protecionismo", disse o presidente da China, Xi Jinping.

Clima

O presidente do EUA e seu homólogo chinês 19524665, impulsionando assim os esforços globais para lidar com a mudança climática e instando outros Estados a seguir o exemplo.

Os restantes membros do G20 concordaram em aderir ao acordo o mais rapidamente possível. Ele entrará em vigor somente após 55 países que agrupem55% das emissões globais ratificarem o acordo.

Síria

Apesar das reiteradas tentativas de Estados Unidos e Rússia para encerrar a cúpula com um acordo para um cessar-fogo na Síria, o assunto mais discutido pelos líderes em Hangzhou, o encontro foi concluído sem que esse pacto fosse alcançado.

Ambas as partes tinham buscado aproximar suas posições desde domingo para selar um pacto que permitisse o envio de mais ajuda humanitária à Síria, após infrutíferas reuniões em Moscou, Washington e Genebra nas semanas anteriores. Mas sem sucesso. "Reduzir as diferenças que existem é uma negociação muito difícil, e ainda não fechamos a lacuna", destacou Obama.

Segundo ele, Washington e Moscou concordaram que suas equipes continuassem as negociações nos próximos dias, sem especificar onde. Por sua parte, os EUA buscam em princípio que o Exército sírio, que conta com o respaldo do Kremlin, cesse todos seus bombardeios.

"O regime de Bashar al-Assad está bombardeando com impunidade", ressaltou Obama, o que cria, segundo acrescentou, "uma dinâmica perigosa, ao aumentar a capacidade de recrutamento de pessoas que a princípio não eram simpatizantes dos radicais".

Apesar de todas as diferenças entre Moscou e Washington sobre o cessar-fogo, o presidente russo, Vladimir Putin, foi muito mais otimista que seu homólogo americano. "Tenho muita confiança de que esses acordos serão alcançados, e tenho argumentos para pensar que é questão de poucos dias", destacou Putin, que desfrutou neste G20 de um alto grau de protagonismo, em contraste com o ostracismo vivenciado nas cúpulas anteriores.

Brexit

"Os líderes de Índia, México, Coreia do Sul e Cingapura disseram que estão dispostos a negociar para levantar as barreiras comerciais entre os nossos países", declarou a premiê britânica. Austrália também estaria interessada.

Apesar disso, o G20 comunicou em sua declaração final do encontro que estará bem preparado para eventuais efeitos negativos da decisão do Reino Unido de deixar a UE. May ainda não anunciou planos concretos para a era pós-Brexit.

Mar do Sul da China

O conflito territorial entre a China e alguns de seus países vizinhos no Mar do Sul da China não foi mencionado em relatórios oficiais da cúpula, mas Xi advertiu o premiê japonês, Shinzo Abe, para manter cautela na disputa.

Obama tratou do tema com o presidente chinês em conversas bilaterais. O Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA), em Haia, decidiu em julho contra as reivindicações territoriais da China, que tem ignorado o veredicto.

PV/efe/dpa/afp/rtr

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