Protesto contra "Selva de Calais" fecha rodovia na França

Caminhoneiros, agricultores e empresários locais bloqueiam estrada para protestar contra acampamento de migrantes em Calais. Organizadores exigem medidas do governo e garantem que a obstrução pode durar vários dias.

Caminhoneiros, agricultores e empresários locais bloquearam uma importante rodovia no norte da França, nesta segunda-feira (05/09), para protestar contra a chamada "Selva de Calais", como é conhecido o acampamento ilegal de migrantes em Calais.

Os manifestantes bloquearam a rodovia A16, uma rota usada para o transporte de passageiros e mercadorias ao Reino Unido por meio do Eurotúnel - a passagem sob o Canal da Mancha que liga a região de Pas-de-Calais ao sul da Inglaterra - e o próprio porto de Calais. Organizadores afirmaram que o protesto pode durar vários dias.

Os mais de sete mil migrantes que vivem no acampamento de Calais elevaram a tensão com moradores e transportadores. Os refugiados do Oriente Médio e da África esperam conseguir ser contrabandeados do acampamento ao Reino Unido.

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, disse na sexta-feira que o acampamento será desmantelado "numa operação controlada", mas os manifestantes querem que as autoridades definam uma data. "Não recebemos respostas, portanto estamos bloqueando a estrada", disse Frederic van Gansbeke, que representa empresas e lojistas em Calais.

Caminhoneiros estão frustrados com as tentativas dos migrantes em se esconderem nos caminhões para atravessar o Canal da Mancha. "Todos os dias temos de nos perguntar se o nosso dia de trabalho será arruinado, se um migrante vai se esconder sob a lona do caminhão", disse Nicolas Lotin, que preside uma empresa de logística. "Se a mercadoria estiver danificada, ela tem de ser transportada imediatamente de volta ao depósito."

A França tentou várias vezes fechar o acampamento constituído por diversas barracas e abrigos temporários, mas o local tem aumentado de tamanho com a chegada de novos refugiados.

Instituições de caridade dizem que há cerca de 10 mil migrantes no acampamento e se opõem ao plano do governo francês de fechar o campo, alegando que tal medida agravará os problemas.

PV/afp/ap

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