Autoridades turcas confiscam material da Deutsche Welle

Christoph Jumpelt (pv)

Ancara apreende gravação de entrevista com o ministro turco da Juventude e do Esporte, Akif Cagatay Kilic. Governo alega que "perguntas feitas não foram as planejadas".

Imediatamente após a gravação de uma entrevista televisiva com o ministro turco da Juventude e do Esporte, Akif Cagatay Kilic, para o talk show da DW "Conflict Zone", autoridades turcas confiscaram as imagens de vídeo. A entrevista foi conduzida pelo apresentador Michel Friedman na noite desta segunda-feira (05/09), na capital Ancara.

As gravações foram realizadas nas dependências do próprio Ministério da Juventude e do Esporte e incluíam perguntas que haviam sido enviadas previamente ao ministério.

Friedman perguntou sobre a tentativa de golpe de Estado em julho, assim como sobre as demissões em massa e as detenções que ocorrerem na sequência. Ele perguntou sobre a situação da mídia na Turquia e também sobre a posição da mulher na sociedade turca. O ministro Kilic foi convidado para explicar as várias declarações feitas pelo presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, em relação a estes tópicos.

Assim que o ministro saiu da sala, o assessor de imprensa do ministro anunciou que a DW não seria autorizada a transmitir a entrevista. Quando Friedman e colegas editorais protestaram, o material foi confiscado por funcionários do ministério turco.

DW protesta

O diretor-geral da DW, Peter Limbourg, pronunciou-se nesta terça-feira sobre o comportamento das autoridades turcas. "O incidente é prova de uma violação flagrante da liberdade de imprensa na Turquia. O que estamos vivenciando constitui um ato de coerção do regime turco. Já não se segue a lei, e isso não tem nada que ver com democracia", disse Limbourg.

"Não pode ser que um ministro responda de boa vontade a uma entrevista e, em seguida, tenta bloquear a transmissão simplesmente porque não gostou das perguntas feitas. Estamos solicitando às autoridades turcas a devolução imediata do material e iremos considerar nossas opções legais."

Logo após o incidente, a DW apelou ao Ministério da Juventude e do Esporte turco, assim como à direção-geral turca para a imprensa e informação, exigindo a liberação das imagens de vídeo. Um prazo fixado para o meio-dia (horário local) desta terça-feira expirou sem qualquer resposta.

Durante diversas conversas telefônicas com representantes do Ministério da Juventude e do Esporte, a DW solicitou repetidamente a devolução do material. A resposta manteve-se inalterada: o ministério não está de acordo com a difusão da entrevista.

Em comunicado feito ao departamento de língua turca da DW, Übeydullah Yener, assessor de imprensa do ministro, afirmou: "Não houve autorização para a entrevista. As perguntas feitas não foram as planejadas. O próprio senhor Friedman sabe exatamente por que isso aconteceu. Algumas afirmações estavam mais para alegações. Em tal situação, não foi concedida autorização."

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