Clima tenso: Ministro da Justiça do Gabão demite-se

Martina Schwikowski / fd / ap / cvt

Ministro Seraphin Moundounga renunciou ao cargo porque Governo se recusa a recontar os votos das presidenciais. Pelo menos sete pessoas morreram em protestos após o anúncio dos resultados eleitorais, na semana passada.

Nas ruas de Libreville, reina uma calma tensa após os tumultos da semana passada. O exército controla as artérias da capital gabonesa. Pelo menos sete pessoas morreram em protestos depois do anúncio da reeleição do Presidente Ali Bongo, na última quarta-feira (31.08), por uma pequena margem de votos.

Um dos manifestantes contou à DW África que, nessa noite, viu o irmão morrer, ao seu lado: "Eu e o meu irmão ainda estávamos na rua e ouvimos tiros. Havia cada vez mais tiros. Queria fugir dali com ele, mas ele disse que não se conseguia mexer. Fui acordar a minha mãe e levámo-lo ao hospital. Quando lá chegámos, o meu irmão já estava morto."

Situação instável

Sete mortos e 1.100 detenções durante os tumultos foram os dados avançados pelo Governo gabonês, até agora. Mas os números serão muito superiores, segundo Marc Ona, coordenador da aliança "Virar a Página" do Gabão.

Muitas pessoas desapareceram, diz Ona, entre elas o ativista e ex-deputado Bertrand Zibi. "Perdemos o rasto dele. As informações que nos chegam não nos dão esperança." Além dos desaparecimentos, nas ruas ainda haverá "pessoas a serem mortas arbitrariamente."

A situação de segurança no Gabão é muito instável, confirma Mathilde Debain. Segundo a comentadora política francesa, há pessoas que não vêem familiares e amigos desde que soldados invadiram a sede de campanha do líder da oposição Jean Ping, em Libreville, na quarta-feira. Desde os redutos da oposição na capital e de outras cidades do pai surgem relatos de saques e rusgas. O arcebispo de Libreville apelou ao partido no poder e à oposição para ajudarem a travar a violência.

"Offline"

Debain teme, porém, que a situação se deteriore. O que as autoridades mais receiam é que as pessoas se desloquem para as ruas em protesto, diz.

"O Gabão tem um forte regime militar, o que não acontecia no tempo de Omar Bongo", pai do atual chefe de Estado, lembra a comentadora. O filho "Ali Bongo duplicou o número das forças de defesa e de segurança, para cerca de 50.000 homens."

O acesso à Internet foi bloqueado na quarta-feira, por ordem do Presidente. Só na segunda-feira de manhã o bloqueio foi levantado parcialmente, embora ainda não seja sempre possível aceder a redes sociais. As emissões de televisão também passaram a ser controladas.

Ministro demite-se

Ali Bongo pretende usar o bloqueio da informação para, nos próximos dias, tomar posse como Presidente para um novo mandato de sete anos, estima a analista Debain. Mas o candidato da oposição, Jean Ping, também aproveita a situação: na sexta-feira à noite, Ping declarou-se como o Presidente do Gabão.

O político, de 73 anos, ex-presidente da Comissão da União Africana, exigiu uma recontagem dos votos. Até agora, o apelo ficou sem resposta do Governo.

Esta segunda-feira, o ministro da Justiça gabonês, Seraphin Moundounga, demitiu-se face à recusa do Governo em recontar os votos das presidenciais. Entretanto, o líder da oposição apelou a uma greve geral para protestar contra as eleições, mas poucos aderiram. Ping recusa-se a ir a tribunal, por considerar que o Tribunal Constitucional não é independente.

A oposição tem o direito de se expressar, conclui Faustin Boukoubi, secretário-geral do partido no poder no Gabão. "Isso também faz parte da democracia e da liberdade de expressão no nosso país, mas deve-se também respeitar a Comissão Eleitoral que anunciou os resultados. E restrinjo-me a esses resultados oficiais."

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