O que esperam os angolanos da emissora católica Rádio Ecclesia?

Nelson Sul de Angola (Benguela)

Fiéis da Igreja Católica e sociedade cidvil de Angola querem que a cobertura da radio seja alargada e que os conteúdos das emissões não devem cingir-se únicamente à mensagem religiosa.

Depois do afastamento do diretor da Emissora Católica de Angola, padre Quintino Kandanji, vários fiéis da Igreja Católica e membros da sociedade civil de Angola defendem o alargamento do serviço público emitido pela rádio Ecclesia. Para alguns fiés e ouvintes, apesar da emissora estar afetar a Igreja, os seus conteúdos não devem estar virados apenas para a propagação de mensagens religiosas .

O diretor demissionário da rádio Ecclesia, padre Quintino Kandanji, era uma figura controversa na sociedade angolana. Foi no seu consulado que a estação radiofónica passou por profundas alterações na sua linha editorial, bloqueando muitas vezes qualquer crítica ao Governo e nomeadamente ao presidente José Eduardo dos Santos.

Quintino Kandanji acusava muitas vezes os partidos na oposição, as organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos e a delegação da União Europeia em Angola, de estarem a incitar a comunicação social privada com o intuito de derrubar o Governo.

Demissão de Kandanji foi a seu pedido

Apesar de fontes da própria rádio Ecclésia terem garantido que a exoneração do diretor tem a ver com a perda da credibilidade da rádio, em função da alteração da sua linha editorial. O porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e Arcebispo de Saurimo, bispo Manuel Imbamba, disse em exclusivo à DW África, que a demissão de Quintino Kandanji foi a seu pedido.

"Não é necessário que exploremos as razões, portanto, ele escrevera em tempos uma carta de pedido de demissão, que foi analisada pelo conselho permanente da Conferencia Episcopal de Angola e São Tomé e ratificado. Portanto, é a seu pedido que a exoneração aconteceu".

Ecclesia perde credibilidade desde 2011

A rádio Ecclesia, que já foi tida como a emissora mais independente de Angola, tem vindo a perder a sua credibilidade desde 2011, altura em que foi nomeado o agora demissionário diretor. Por isso, com a nomeação de novo diretor Artur Cavita ainda que interino, vários fiéis da Igreja Católica e membros da sociedade civil auguram uma mudança na linha editorial da radio, como é o caso de Simão Hossi, da diocese de Caxito.

"É certo que o objectivo inicial é ajudar pregar o Evangelho, mas penso que ela, como uma rádio ligada a Igreja, deve também estar ao lado da população que sofre injustiças".

Simão Hossi, explica o porquê da necessidade de se alterar o serviço público emitido pela Emissora Católica de Angola.

"Muitos leigos e crentes da Igreja Catolica estão descontentes com o rumo que a rádio tomou. O mais importante é que aborde os assuntos políticos sem favorecer nem um nem outro". Quem também augura mudanças no serviço público da rádio Ecclesia é o chefe de redação do jornal Liberdade, Albino Sampaio. Este diz que não faz sentido que uma rádio que contribuiu para a descolonização do país não se importe hoje com as injustiças sociais que se vive em Angola.

"Se naquele tempo transmitia-se mensagens de liberdade, já que se vivia num país colonizado, com mensagens que despertavam a população angolana para liberdade, é preciso a rádio retome, pelo menos, aquilo que foi a própria rádio. porque perdeu muita audiência", afirma.

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