Poloneses se preocupam com futuro no Reino Unido

Samira Shackle, de Londres (fc)

Após decisão pelo Brexit, mais crimes de ódio são registrados. Poloneses, que formam um dos maiores grupos de estrangeiros no país, estão entre os alvos. Incidentes incluem espancamentos e vandalismo.

Nas primeiras horas do último domingo (04/09), dois homens poloneses, que não tiveram seus nomes divulgados pela polícia, foram espancados por uma gangue em Harlow, ao norte de Londres.

Esta é a mesma cidade no condado de Essex onde outro polonês, Arkadiusz Jozwik, foi espancado e morto em 27 de agosto. Seis adolescentes que têm ligações com o assassinato foram presos, e o caso está sendo investigado como crime de ódio.

No último sábado, uma vigília silenciosa de centenas de pessoas marchou pelas ruas de Harlow para lembrar Jozwik. Os outros dois homens foram atacados apenas horas depois de a vigília terminar. Uma vítima teve o nariz quebrado e, a outra, um corte na cabeça após ser atacada por até cinco homens do lado de fora de um bar.

"Este foi um ataque violento e horrível. Embora consideremos esta questão como um potencial crime de ódio, ele não está sendo vinculado com o ataque no último final de semana", afirmou Trevor Roe, superintendente da polícia de Essex, se referindo ao assassinato de Jozwik.

Há uma aparente onda de crimes do tipo após o referendo de 23 de junho, quando o Reino Unido votou a favor de sua saída da União Europeia. Os incidentes incluem o vandalismo contra um centro cultural polonês no oeste de Londres e a distribuição de cartões com a frase "vermes poloneses nunca mais" no condado de Cambridgeshire.

No sábado, antes de os dois homens serem atacados em Harlow, o ministro do Exterior polonês, Witold Waszczykowski, pediu publicamente a ação do Reino Unido. "Nós estamos contando com o governo britânico e as autoridades responsáveis pela segurança dos cidadãos britânicos e europeus, incluindo os poloneses, para evitar os atos de xenofobia que vimos recentemente", comentou.

O Conselho Nacional de Chefes de Polícia afirma que mais de 3 mil ataques contra estrangeiros foram registrados pela polícia na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte entre 16 e 30 de junho - um aumento de 42% em relação ao mesmo período do ano passado.

A embaixada polonesa afirmou que interveio em 15 incidentes graves de crime de ódio nas últimas semanas, incluindo um incêndio criminoso na casa de uma família polonesa e uma agressão física.

Futuro incerto

Estima-se que, em 2015, havia 831 mil poloneses vivendo no Reino Unido, fazendo deles um dos maiores grupos de estrangeiros no país. Em 2004, quando a Polônia aderiu à União Europeia e seus nacionais ganharam o direito de viver e trabalhar no Reino Unido, havia apenas 69 mil imigrantes poloneses. A língua polonesa é a segunda mais falada na Inglaterra.

"Os poloneses estão aqui há várias décadas", diz Jaroslaw Andrwski, que nasceu no norte da Inglaterra após seus pais terem imigrado na década de 1950. "O que aconteceu em 23 de junho faz pensar sobre o futuro. Muitos de nós, em nossa comunidade, temos sofrido abusos verbais e coisas piores desde o referendo. Você ouve notícias como essa e é impossível não sentir medo: e se eu for o próximo ou meu filho?"

Pessoas viajaram de todo o país para participar da vigília em Harlow no último sábado. Janeta Krajewska, que vive em Londres e esteve presente no ato, diz que o que aconteceu é terrível.

"É uma tragédia pessoal para as famílias, e também para todos nós", disse à DW. "Nós, poloneses, contribuímos muito para a economia e a cultura britânicas, e odeio ver crianças expostas a esse discurso de ódio repugnante e coisas piores."

Aumento de patrulhas

As autoridades polonesas não especificaram quando sua delegação diplomática irá viajar ao Reino Unido. Houve relatos de que a primeira-ministra polonesa, Beata Szydlo, quer falar diretamente sobre os ataques com a homóloga britânica, Theresa May.

"A segurança de poloneses no Reino Unido será discutida com o Ministério do Interior, Departamento de Educação, autoridades locais e organizações polonesas", afirmou um porta-voz da embaixada da Polônia em Londres à DW.

No curto prazo, as forças policiais de Harlow afirmaram que haveria "um aumento do número de patrulhas policiais para tranquilizar e proteger a comunidade".

Enquanto isso, o governo britânico anunciou recentemente uma revisão abrangente de como as forças policiais em todo o país lidam com crimes de ódio, na sequência do enorme aumento de incidentes após meados de junho. Isso deve incluir fundos extras para a proteção de locais de culto e um esforço para alcançar grupos isolados dispostos a denunciar crimes de ódio.

"Esta agressão em Harlow causa medo não somente na comunidade polonesa, mas também em todas as comunidades de imigrantes no que diz respeito ao seu bem-estar e segurança", afirma Tadeusz K. Stenzel, presidente da Federação dos Poloneses Britânicos em entrevista à DW.

"Uma punição justa e legal para aqueles que cometem tais crimes, juntamente com a boa vontade e compreensão por parte dos cidadãos, precisa prevalecer para que todos nós possamos viver numa sociedade pacífica e harmoniosa", acrescentou Stenzel.

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