Apesar da segurança econômica, alemães têm medo do futuro

Carla Bleiker (fc)

Grande parte dos alemães tem receio em relação a refugiados, terrorismo e violência, aponta estudo. Para especialista, quanto maior o bem-estar econômico, mais se teme que algo aconteça consigo e com os próprios bens.

Apesar de se sentirem seguros economicamente, os alemães têm uma visão pessimista e receosa em relação ao futuro, aponta um estudo do Instituto de Pesquisas Allensbach, realizado a pedido da bancada do Partido Social-Democrata (SPD) no Bundestag (Parlamento alemão).

"A satisfação material está crescendo, mas o otimismo em relação ao futuro diminuiu drasticamente", aponta o portal de notícias Spiegel Online se referindo à pesquisa.

A percepção sobre a situação econômica pessoal é tão positiva em 2016 como não se via há muito tempo. De acordo com o Instituto Allensbach, 54% dos alemães dizem que sua situação econômica é boa ou muito boa, e apenas 9% veem a própria condição como ruim.

No entanto, dinheiro e segurança no emprego aparentemente não são sinônimo de tranquilidade. Apenas 36% dos 1.431 entrevistados se dizem esperançosos e otimistas quanto ao que o próximo ano lhes reserva. De acordo com o Spiegel Online, as últimas vezes em que tantas pessoas manifestaram uma perspectiva sombria sobre a vida haviam sido no início da crise financeira, em 2008, e logo após o 11 de Setembro.

Medo número um

Thomas Feltes, professor de Criminologia e Ciências Políticas da Universidade de Bochum, tem uma explicação possível para o abismo entre a segurança econômica e o medo do futuro. Em entrevista à emissora Deutschlandfunk, ele disse que a aparente contradição faz sentido, pois quanto maior o bem-estar econômico, mais as pessoas temem que algo possa acontecer com elas ou com seus bens.

"Em nossa sociedade, muitas pessoas estão de fato melhores hoje do que no passado", aponta Feltes.

De acordo com os números da pesquisa, as maiores preocupação dos alemães dizem realmente respeito à segurança física e de seus bens. Dos entrevistados, 84% estão preocupados com a sensação de aumento da violência e criminalidade na sociedade. Esse medo tem crescido substancialmente nos últimos anos.

Quando questionados em outra pesquisa do Instituto Allensbach se estavam com medo de serem pessoalmente vítimas de crimes, 64% dos entrevistados responderam "sim" neste ano. Em 2011, foram apenas 29%.

O terrorismo aparece em segundo lugar na lista das principais preocupações dos alemães. Os entrevistados tinham que assinalar o que temem numa longa lista de potenciais ameaças, e 74% marcaram os ataques terroristas.

"A própria casa é o local mais perigoso"

Algumas dessas pessoas podem ter medo de aglomerações ou lugares públicos e preferir ficar em casa a ir a um concerto ou exposição. Segundo Feltes, essa é uma má decisão. "Nós criminologistas sabemos que a própria casa é o lugar mais perigoso que existe", diz.

Afinal, a maioria dos acidentes ocorre dentro de casa. É muito mais provável se queimar ao usar uma torradeira com defeito ou ser atingido por uma estante de livros quebrada do que morrer num ataque terrorista. No entanto, eletrodomésticos não entraram na lista das maiores preocupações dos alemães.

Tempos incertos

Ataques terroristas com grande número de vítimas têm efeitos dramáticos e abalam profundamente as convicções de muitas pessoas na sociedade. A frequência de atentados e a grande cobertura midiática vistas nos últimos tempos são provavelmente algumas das razões por que 58% dos entrevistados consideram que estes são tempos especialmente incertos.

Em 2011, 44% dos entrevistados pelo Instituto Allensbach afirmaram que estavam muito bem economicamente - um índice muito menor do que em 2016 (54%). Mas as pessoas também se sentiam mais seguras, tendo apenas 44% afirmado considerar aquele período particularmente incerto.

Um fator que pode explicar esse sentimento de insegurança é a grande quantidade de migrantes que chegam à Alemanha. O aumento no número de refugiados no país ficou em terceiro lugar na lista das principais temores dos alemães, com quase três quartos dos entrevistados assinalando esta como uma de suas principais preocupações.

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