Turquia suspende mais de 11 mil professores

Ancara alega suspeita de ligação dos docentes com a banida legenda curda PKK. Erdogan anuncia maior operação da história contra o partido e diz que remoção de servidores públicos é parte fundamental da luta.

Mais de 11 mil professores foram suspensos no sudeste da Turquia por suspeita de apoiarem o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), comunicou a agência estatal turca Anadolu nesta quinta-feira (08/09). A suspensão em massa ocorreu pouco mais de uma semana antes do início do novo ano letivo.

Anteriormente, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, já havia advertido que as suspensões seriam implementadas, alegando que o governo suspeita que 14 mil professores estariam "ligados ao terror".

O sudeste da Turquia tem visto o pior índice de violência em duas décadas, desde que um cessar-fogo entre o banido partido curdo e o governo foi rompido em julho de 2015. O PKK, que ataca regularmente alvos policiais e militares na majoritariamente curda região sudeste do país, intensificou suas atividades nos últimos meses. O partido exige uma maior autonomia para a minoria curda no país.

A Turquia está travando a maior operação de sua história contra militantes curdos e a remoção de servidores públicos ligados ao PKK é uma parte fundamental da luta, segundo declaração do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, nesta quinta-feira.

"Nós estamos executando a maior operação contra a organização terrorista PKK na história, tanto dentro como fora de nossas fronteiras", disse o presidente turco.

Paralelamente à operação contra o PKK, quase 130 mil funcionários públicos foram demitidos nas últimas semanas, enquanto Ancara continua seu expurgo aos serviços públicos em decorrência à fracassada tentativa de golpe militar em julho. Ancara alega que os alvos são seguidores do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, que, segundo Ancara, estaria por trás da trama que visava derrubar o governo.

Também nesta quinta-feira, a polícia turca lançou uma operação para prender 151 militares, empresários e servidores públicos acusados de terem ligação com o clérigo. A agência Dogan informou que a Promotoria de Istambul ordenou a prisão de 92 pessoas em 15 províncias diferentes, entre eles 82 militares, incluindo seis generais, um policial, três professores e seis pessoas que não tiveram seus trabalhos revelados. Também foram presos 27 empresários acusados de pertencer à confraria de Gülen.

Os partidos da oposição e os críticos do governo denunciam que as prisões e demissões se transformaram numa caça às bruxas. E afirmam que entre os detidos há pessoas que nunca tiveram ligação com Gülen, tendo inclusive combatido a confraria do clérigo.

PV/efe/rtr/dpa

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