"A RENAMO não deve resolver os seus problemas usando a força"

António Cascais

Visita de trabalho ao círculo eleitoral da Europa (Alemanha) de 9 a 13 de setembro de uma delegação da Bancada Parlamentar da FRELIMO.

Uma delegação da Bancada Parlamentar da FRELIMO, o partido no poder em Moçambique, está em visita de trabalho à Alemanha desde a passada sexta-feira (09.09).

A delegação que é conduzida por Margarida Talapa, membro da Comissão da Assembleia da República de Moçambique e chefe da Bancada Parlamentar da FRELIMO, tem na agenda reuniões e contactos de trabalho com o Partido Social Democrata da Alemanha (SPD), Fundação Friedriche-Ebert e com o Ministério federal dos Negócios Estrangeiros, para além de um encontro com a comunidade moçambicana residente nos Estados da Baviera, Baden-Württenberg e Hessen...

Numa entrevista exclusiva concedida à DW África, Margarida Talapa começou por nos falar da deslocação à Alemanha da delegação que chefia.

DW África: Pode falar-nos do programa e objetivos desta visita à Alemanha?

Margarida Talapa (MT): O estreitamento das relações de cooperação e amizade com os irmãos alemães. Temos uma relação histórica desde a nossa independência. Na altura houve vários acordos. Muitos moçambicanos estiveram na Alemanha a receber formação de quadros e também recebemos muitos alemães em Moçambique. Também viemos contactar com as várias instituições governamentais e partidos políticos para podermos recolher experiências do funcionamento do Parlamento alemão e melhorar cada vez mais a nossa ação em Moçambique. Temos muitos moçambicanos a residir na Alemanha e tivemos encontros com as comunidades. Duma forma geral, estamos satisfeitos. Temos também encontros com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e instituições da sociedade civil.

DW África: Ouve-se falar de ataques, de falta de segurança, de um clima de pré-guerra civil no país. Como explica o que está a acontecer em Moçambique aos alemães com quem vai contactar?

MT: Temos explicado que as instituições moçambicanas eleitas democraticamente estão em pleno funcionamento em todo o país, desde os órgãos da base até ao nível central. O Governo está a desempenhar cabalmente a sua atividade, pondo em prática o programa quinquenal traduzido em planos económicos e sociais. Explicamos que, naturalmente, a grande preocupação dos moçambicanos é a paz. A paz está a ser ameaçada pela violência e pelos ataques perpretados por uma força política com assento no Parlamento - a RENAMO. Clama pelos resultados eleitorais que se baseiam num pacote eleitoral aprovado por consenso. Todos os partidos políticos tiveram a oportunidade de participar, em pé de igualdade, desde a mesa de voto até à Comissão Nacional de Eleições.

Nós, como bancada da FRELIMO, informamos os nossos compatriotas que Moçambique não está em guerra. Há ataques que estão a ser levados a cabo por um grupo de homens dum partido armado cujo objetivo principal é desestabilizar o povo moçambicano e retardar o desenvolvimento do país. Os moçambicanos estão cansados desta forma de ser e de estar da RENAMO. Condenamos estas atitudes, porque várias vezes o Presidente da República convidou a RENAMO e o seu líder para um encontro com vista a encontrar caminhos para ultrapassar as diferenças. Pediram a criação de um grupo de preparação deste encontro, Filipe Nyusi aceitou. Pediram a participação de mediadores externos, o chefe de Estado aceitou. Estando lá os mediadores e a decorrer o diálogo, acreditávamos que a RENAMO poderia ter uma postura positiva, pondo fim aos ataques. Infelizmente, mesmo enquanto estamos aqui, na Alemanha, ouvimos que atacaram um posto administrativo.

DW África: Neste fim-de-semana, houve ataques das Forças de Intervenção Rápida à base de Morrumbala e outras bases da RENAMO, pouco antes do reinício das negociações. Como é que isto se explica?

MT: Penso que as negociações começaram há muito tempo. Nós chamamos-lhes diálogo. As Forças de Defesa e Segurança agem em defesa do povo moçambicano, segundo a lei. Estão a agir para defender a soberania do país. O problema principal é que a RENAMO, estando em diálogo, continua a atacar a população civil, matando civis, destruindo infraestruturas, roubando medicamentos dos hospitais, destruindo todo o esforço da sociedade moçambicana e do nosso Governo. A sua pergunta deveria ser feita ao contrário, porque quem está a agir fora da lei é a RENAMO. DW África: E quanto ao diálogo que recomeçou esta segunda-feira (12.09) na presença de mediadores internacionais? Haverá esperança de paz? São grandes as hipóteses de se chegar a um acordo?

MT: Naturalmente, temos esperança, enquanto partido FRELIMO e bancada parlamentar. O nosso chefe de Estado, desde há muito tempo, só está à espera dum sinal do senhor Dhlakama. A RENAMO deve parar de atacar e ameaçar a estabilidade política do país e deixar que os moçambicanos continuem a trabalhar para o seu bem-estar. Quem dá o poder é o povo, através de eleições democráticas. A RENAMO não deve resolver os seus problemas usando a força.

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