Falta de transparência pode prejudicar Hillary mais do que pneumonia

Michael Knigge (pv)

Anúncio de dois incidentes de saúde da candidata democrata à Casa Branca não deve afetar corrida presidencial. A forma como sua campanha lidou com a repercussão do caso, porém, pode ter impacto negativo.

Dúvidas sobre a saúde da candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, vieram à tona no início do mês, quando ela teve um acesso de tosse durante um comício em Cleveland, no estado de Ohio. Enquanto assessores de sua campanha garantiram que Hillary sofre de alergias sazonais, o episódio imediatamente ganhou atenção nacional e foi debatido por alguns círculos conservadores que já tinham ventilado teorias sobre o estado de saúde da democrata.

O diagnóstico feito pelo médico de Hillary de que ela está com pneumonia, revelado no domingo, depois de a ex-secretária de Estado ter passado mal - o que foi descrito inicialmente como um incidente causado pelo forte calor - durante cerimônia referente ao 15º aniversário dos ataques de 11 de setembro, é uma má notícia para a democrata.

Mas os recentes episódios referentes à saúde de Hillary não vão tirá-la da corrida presidencial contra Donald Trump - na qual Hillary ainda é apontada como favorita -, nem fazem diferença para os fervorosos simpatizantes de Trump ou para as pessoas que já decidiram votar contra ela, avaliam analistas políticos. Além disso, o crucial grupo dos indecisos não deve decidir votar contra Hillary exclusivamente com base nesses dois incidentes - o diagnóstico de pneumonia e o mal-estar num evento público.

"Não acho que seja uma guinada na disputa", opina James Davis, especialista em política americana e internacional na Universidade de St. Gallen, na Suíça.

"Desde que ela retorne à campanha em três ou quatro dias, não creio que influenciará a corrida", estima Iwan Morgan, chefe do programa de estudos sobre os Estados Unidos na University College London.

Problema está na gestão de crises

Não é incomum que candidatos presidenciais adoeçam durante a extenuante campanha eleitoral, que pode durar até dois anos. E é por isso que, segundo os estudiosos, mais importante do que os incidentes de saúde em si é a forma como a equipe de campanha de Hillary vai lidar com a repercussão dos incidentes.

E nesse ponto - administrar e comunicar o estado de saúde da democrata - os assessores de Hillary poderiam ter feito um trabalho melhor, diz Davis: "Não entendo por que eles não anunciaram já na sexta-feira, quando, aparentemente, ela foi diagnosticada. Se eles tivessem dito que ela estava doente e que precisava de uma pausa, isso não teria sido um grande problema".

De acordo com Davis, o momento do anúncio do diagnóstico de pneumonia de Hillary é "um prato cheio àqueles que argumentam que sua campanha não é muito transparente".

Para Morgan, é um tanto curioso que a saúde de Hillary esteja em pauta agora, uma vez que ela se submeteu a exames médicos muito mais rigorosos do que os feitos pelo adversário republicano.

Candidatos mais velhos deveriam divulgar registros

Para acabar com a especulação sobre a saúde dos candidatos - que são os mais velhos a disputar uma eleição presidencial -, Hillary (68) e Trump (70) deveriam simplesmente liberar seus registros médicos completos, sugerem Davis e Morgan.

"O povo americano tem o direito de saber se eles estão elegendo alguém que tem a energia e a saúde necessárias para executar o mandato", argumentou Davis.

Especialmente levando-se em consideração que equipes de campanha ao longo da história nem sempre foram transparentes sobre o real estado de saúde de seus respectivos candidatos.

Quando Franklin Delano Roosevelt concorreu à Casa Branca, a maioria das pessoas não sabia que ele passava a maior parte do tempo em uma cadeira de rodas, mencionou Davis. E que John F. Kennedy tinha sérios problemas nas costas e tomava fortes analgésicos também não ficou conhecido, acrescentou Morgan.

Tendo em conta estes antecedentes históricos, depende agora da conduta da equipe de campanha se estes episódios de saúde de Hillary vão desaparecer ou continuar sendo uma questão eleitoral.

"A campanha precisa ser aberta e transparente, deixar que o povo americano saiba qual é o diagnóstico e dar uma indicação do que ela fará para se recuperar", disse Davis. "E se eles fizerem isso de forma aberta e honesta, tudo vai passar."

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