Vítimas da seca sem acesso à ajuda alimentar no Zimbabué

Privilege Musvanhiri / Nuno de Noronha

Partido no poder estaria a negar ajuda humanitária a militantes da oposição em áreas afetadas pela seca. Acusação feita pela Comissão de Direitos Humanos do país é confirmada por populares e negada pelo Presidente.

Há várias populações com fome no Zimbabué, sobretudo em zonas rurais afetadas pela seca severa que o país atravessa.

Na semana passada, a Comissão de Direitos Humanos do país acusou o partido no poder, União Nacional Africana do Zimbabué (ZANU-PF),de negar ajuda alimenta a militantes da oposição que poderiam passar fome devido à seca que afeta a região onde vivem.

Os líderes comunitários filiados ao ZANU PF - como chefes de aldeia, secretários e administradores distritais - têm sido apontados como os principais perpetradores em violações ligadas à distribuição de alimentos.

Em Bikita, na província de Masvingo, 380 quilómetros a sudeste de capital Harare e uma das zonas mais afetadas pela seca que assola o país, vários populares acusam os líderes locais do partido no poder de lhes negarem a ajuda humanitária que está a ser distribuída.

Muchazvirega Zuruvi, de 42 anos, mãe de quarto filhos, diz não ter forma de alimentar as crianças.

"Eles dizem que não querem membros do partido do MDC. Eles dizem que os apoiantes do MDC [Movimento para a Mudança Democrática] não merecem ajuda alimentar," conta.

Segundo Zuvuri, "apenas os que apoiam o ZANU-PF estão a ser ajudados. Isto já acontece há algum tempo. Magoa-nos muito, porque foi-nos prometida comida há algum tempo. Não podemos ir a lado nenhum buscar comida".

Zacharias Chapungu, 69 anos, relata uma situação semelhante e pede a intervenção do Presidente Robert Mugabe.

"Ainda não nos foi dada comida pelos membros do ZANU-PF. Dizem-nos que nos vão dar até que o programa esteja concluído. Não podemos fazer nada, só Deus nos pode ajudar. Esta situação tem de mudar," lamenta.

Reação de Mugabe

Na convenção nacional do ZANU-PF, na sexta-feira (09.09), o Presidente do país condenou o relatório da Comissão de Direitos Humanos e disse que o documento servia apenas para fazer manchetes noticiosas internacionais.

"A informação de algumas pessoas estúpidas e porta-vozes estúpidos dos Direitos Humanos de que a ajuda humanitária está a ser distribuída de acordo com linhas partidárias é completamente falsa, é absolutamente falsa," disparou Robert Mugabe.

As organizações de direitos humanos locais temem que a distribuição de ajuda alimentar esteja a ser usada como um instrumento de coerção política. Em Fevereiro, o Zimbabué declarou estado de emergência em várias áreas rurais atingidas pela grave seca provocada pelo fenómeno climático El Niño.

Estima-se que quase cinco milhões de pessoas - metade da população rural - precisam de ajuda até ao próximo ano.

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