Cinco desafios que a UE tem pela frente

Uma vez por ano, o presidente da Comissão Europeia toma a palavra para falar sobre o estado do bloco europeu. Em 2016, a situação é sombria, como mostram os cinco grandes problemas que a União Europeia tem para resolver.

Três meses após o Brexit, como ficou conhecida a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, discursará nesta quarta-feira (14/09) sobre o estado do bloco. Essa declaração de princípios ocorre todos os anos. Juncker já teve uma série de problemas para abordar em 2014 e 2015, mas nada semelhante à situação deste ano.

Perante o Parlamento Europeu, ele deverá defender um recomeço e um novo ímpeto para a UE. Isso é absolutamente necessário num momento em que os Estados-membros se voltam uns contra os outros, como mostra a recente declaração do ministro do Exterior de Luxemburgo, Jean Asselborn, que defendeu a saída da Hungria do bloco europeu.

Em entrevista ao diário alemão Die Welt, Asselborn declarou nesta quarta-feira: "Aqueles que, como a Hungria, constroem cercas contra refugiados de guerra ou violam a liberdade de imprensa e a independência do Judiciário devem ser excluídos temporariamente ou, em alguns casos, para sempre da UE".

As declarações sobre o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán foram dadas nas vésperas da reunião de cúpula de Bratislava, onde os líderes do bloco europeu discutirão, nesta sexta-feira, o futuro pós-Brexit da União Europeia. No bloco reina, sobretudo, uma sensação de impotência perante os grandes obstáculos que a comunidade de Estados tem a superar em diversas áreas.

1 - Economia e crise de endividamento

As consequências do sismo financeiro de 2008 dividem até hoje a Europa - econômica e politicamente. Enquanto a atual taxa de desemprego na Alemanha é de 4,2%, na Grécia ela é de 23,5%.

Esse país do sul da Europa, fortemente endividado, quer liberdade financeira para estimular a sua economia. Numa reunião de cúpula com outros países do sul da Europa, realizada na sexta-feira passada em Atenas, a Grécia buscou o apoio da Itália e da França. Na Alemanha, exigências desse tipo costumam causar irritação. No entanto, o novo chanceler federal austríaco, Christian Kern, afirmou que a política de austeridade econômica é a verdadeira causa do crescente sentimento antieuropeu.

2 - Fortes divergências sobre os refugiados

A chegada de centenas de milhares de migrantes dividiu politicamente a União Europeia. Nesse ponto, há uma rachadura não somente entre o norte e o sul, mas também entre o leste e oeste. Numa cúpula anterior, os países-membros acertaram redistribuir 160 mil refugiados dos países de chegada Itália e Grécia entre outros Estados-membros da UE. Mas, até julho deste ano, haviam sido redistribuídos apenas 3 mil.

A União Europeia pressiona, mas principalmente a Hungria, a Eslováquia, a República Tcheca e a Polônia se recusam a cooperar. Em vez disso, esse grupo de países exige um controle mais rígido de fronteiras. Aparentemente foi essa situação que levou Asselborn à sua atual investida contra o governo em Budapeste. "A cerca que a Hungria constrói para conter refugiados está cada vez mais longa, alta e perigosa. A Hungria não está longe da ordem de fogo contra os refugiados", declarou o ministro ao Die Welt.

3 - Terrorismo

Os atentados do terrorismo islâmico na França, na Bélgica e, recentemente, na Alemanha evidenciaram lacunas na cooperação e na troca de informações dentro do bloco europeu. É grande a sensação de insegurança, como também as exigências por uma cooperação mais estreita.

E o tema tem ligação com a disputa em torno dos refugiados: após os atentados praticados por dois refugiados em julho nas cidades alemãs de Würzburg e Ansbach, muitos opositores de uma concessão ampla de refúgio veem suas posições confirmadas.

4 - Brexit

Todos esses problemas pairam há tempos sobre a UE, mas foi o Brexit, em 23 de junho, que desencadeou uma crise existencial dentro do bloco. Se essa separação for realmente consumada, a UE perderá sua terceira maior força econômica, seu segundo maior contribuinte líquido e um peso-pesado da diplomacia no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O bloco ficará menor e mais fraco e perderá importância política. Pior: a saída do Reino Unido funciona como um estímulo para antieuropeus em todas as partes, até mesmo em países fundadores, como a Holanda, a França e a Itália. Em todos esses países, os antieuropeus estão unidos na sua hostilidade populista contra Bruxelas.

5 - Críticas a Bruxelas

A tese simplista de que os burocratas de Bruxelas são os responsáveis por todos os males do continente encobre uma luta de poder entre as instituições: quais devem ser as atribuições da Comissão Europeia? Quanta influência deve ter o Parlamento Europeu? E o que cabe aos Estados-membros?

O máximo possível, afirmam países do Leste Europeu em resposta a essa última pergunta. Para o chefe de governo tcheco, Bohuslav Sobotka, a Comissão deve ficar em segundo plano, pois a "verdadeira legitimidade" pertence aos Estados-membros e aos parlamentos nacionais.

O nervosismo no órgão executivo da UE pôde ser visto na disputa em torno do fim da cobrança de roaming dentro do bloco europeu: após reclamações do Parlamento Europeu e dos países-membros, Juncker desistiu do plano de limitar a 90 dias o período em que as operadoras não podem cobrar taxas adicionais para chamadas de celular realizadas em outros países da UE.

CA/dpa/lusa

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