Ministro de Luxemburgo pede que Hungria seja excluída da UE

Jean Asselborn, que ocupa a pasta do Exterior, critica maneira como governo húngaro lida com refugiados, violando valores do bloco. "Pessoas que fogem da guerra são tratadas quase pior que animais selvagens", afirma.

A edição desta terça-feira (13/09) do jornal alemão Die Welt traz uma entrevista como o ministro do Exterior de Luxemburgo, Jean Asselborn, na qual ele sugere que a Hungria seja excluída da União Europeia (UE) devido à maneira como lidou com refugiados.

"Não podemos aceitar que os valores essenciais da UE sejam maciçamente violados", afirmou Asselborn. "Quem, como a Hungria, construir cercas antirrefugiados de guerra ou infringir a liberdade de imprensa e a independência do Judiciário deve ser temporariamente, ou, em alguns casos, para sempre excluído da UE."

A Hungria é um dos países da Europa que mais abertamente se opõe ao acolhimento de refugiados. O primeiro-ministro do país, Viktor Orbán, adotou diversas medidas para bloquear a entrada de migrantes, inclusive ao erguer cercas nas fronteiras húngaras.

"A cerca que os húngaros construíram para deter refugiados está ficando cada vez mais longa, mais alta e mais perigosa. A Hungria não está muito longe de dar ordens para atirar nos refugiados", disse Asselborn. "Pessoas que fogem da guerra são tratadas quase pior que animais selvagens."

Tratamento "cruel e violento"

O ministro defendeu a criação de uma emenda ao Tratado da UE para facilitar as exclusões de países-membros. "Seria útil se as regras mudassem para que a suspensão da filiação de um país à União Europeia não exigisse mais unanimidade", afirmou.

A Hungria foi a primeira nação a barrar a entrada de refugiados na Europa. Em setembro do ano passado, o governo ordenou a construção de uma cerca na fronteira com a Sérvia e, um mês mais tarde, bloqueou a passagem através da Croácia.

Além disso, foram criadas novas leis para punir a entrada ilegal na Hungria e atos de vandalismo nas cercas, o que resultou em quase 3 mil condenações, a maioria das quais, resultou em ordens de expulsão do país.

A organização humanitária Human Rights Watch denunciou o tratamento "cruel e violento" dado aos refugiados que cruzam ilegalmente a fronteira húngara. Homens, mulheres e crianças têm sido "impiedosamente agredidos e forçados a deixar o país", diz um relatório divulgado pela entidade em julho deste ano.

RC/dw/ots

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