Polarização política e crise económica são desafios de novo mandato presidencial na Zâmbia

Kathy Sikombe / Nuno de Noronha

Supremo Tribunal do país negou pedido da oposição para cancelar cerimónia de posse de Edgar Lungu. Esta terça-feira (13.09), Presidente inaugura novo mandato de cinco anos, em clima de grande tensão.

As tensões na Zâmbia estão altas e as preocupações centram-se sobretudo esta terça-feira (13.09), data em que o Presidente Edgar Lungu, reeleito pela Frente Patriótica, tomará posse para seu segundo mandato. No entanto, os apoiantes do candidato derrotado, Hakainde Hichilema, do Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional, prometem boicotar a cerimónia.

Lungu foi reeleito em agosto com 50,3%, contra 47,6% de Hichilema. As eleições deixaram o país mais dividido do que nunca, com acusações de ambas as partes. Militantes de ambos os partidos envolveram-se em confrontos diários no último mês, sendo que várias propriedades foram destruídas na luta pelo poder. Estima-se que mais de 200 pessoas tenham ficado sem abrigo na sequência dos confrontos.

Esta terça-feira (13.09), foi declarado feriado nacional para que a população possa assistir à cerimónia de tomada de posse de Edgar Lungu. O presidente da Juventude da Frente Patriótica, Steven Kampyongo, garante que estão tomadas todas as medidas de segurança.

"As nossas equipas de segurança foram ativadas e nós não vamos permitir qualquer distúrbio durante este evento muito importante. Os seguranças vão estar no local para garantir que toda a gente possa exercer o seu direito de assistir a um evento nacional muito importante," diz Kampyongo.

"O facto de ter votado noutro candidato nas eleições não faz nenhum zambiano menor. Por isso convidamos toda a gente a assistir a este importante evento," acrescenta.

Desafios do novo mandato

Lungu tomará posse para um mandato de cinco anos. De acordo com o analista político zambiano Neo Simutanyi, as tarefas serão abundantes e árduas.

"O desafio que Edgar Lungu enfrentará, será estabilizar o país para assegurar que há estabilidade política, o que não será muito provável que aconteça. Nunca vi nem ouvi discursos com tanto ódio neste país como vejo agora. Nunca vi tanto ódio tribal como vejo agora. A Zâmbia nunca esteve tão polarizada como está em 2016 e tudo isto são indicações de que haverá uma guerra civil num futuro não muito distante," avalia o analista.

Os analistas económicos alertam também para tempos difíceis no país, sobretudo devido à já precária situação da Zâmbia que pode, a qualquer momento, solicitar um resgate financeiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI), para apoiar o programa de recuperação económica do país.

Fontes no Ministério das Finanças indicaram que a Zâmbia receberá um pacote de ajuda financeira de mais de cinco mil milhões de dólares, com as condições de que os subsídios de electricidade e dos combustíveis sejam removidos e que a política fiscal seja apertada para evitar gastos públicos desnecessários, entre outras.

Atualmente, uma casa de seis pessoas precisa de pouco menos de 300 dólares por mês para poder comprar os bens essenciais. Mas mais de metade dos 15 milhões de habitantes da Zâmbia vive com menos de um dólar por dia.

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