Zimbabueanos tentam manter oposição a Mugabe nas redes sociais

Christine Mhundwa/Lusa

País busca reprimir manifestações contra o Presidente nas ruas e nas redes sociais. Sociedade civil cria mecanismos para se fortalecer digfitalmente.

As autoridades do Zimbabué proibiram por um mês a realização de manifestações em Harare, capital do país, numa tentiva de travar as demonstrações contra o Presidente Robert Mugabe.

A informação foi divulgada na segunda-feira (12.09), depois que a coligação formada por partidos da oposição agendou uma série de protestos em todo o país para o próximo sábado (17.09), com objetivo de forçar uma reforma política antes das eleições gerais previstas para 2018.

Mas, apesar da repressão nas ruas, as redes sociais têm encorajado a sociedade civil do Zimbabué a engajar-se politicamente. Isto levou a criação de uma plataforma móvel, chamada Comunidade Móvel Zimbabué, uma iniciativa que busca relatar histórias que não são normalmente cobertas pelos media no país, que são controlados pelo Governo.

A jovem Natasha Musonza faz parte da Comunidade Móvel Zimbabué. Ela explica exatamente o que fazem e como a população pode demonstrar na internet a sua insatisfação com a situação política e económica do país.

"Nós treinamos jovens zimbabueanos para usarem seus telemóveis para contar histórias de suas comunidades. Usamos um software de fonte aberta, por meio do qual eles relatam suas histórias em diferentes formatos de áudio, vídeo ou fotos", afirma Musonza.

Governo tenta travar manifestações também na rede

Mas para as autoridades do país estas novas plataformas de comunicação são uma ameaça para a popularidade do Presidente Robert Mugabe, e por isso buscam reduzir o uso das redes sociais.

Recentemente, o Governo aumentou em até 500 por cento os serviços de dados, dificultando para muitos a utilização das redes sociais. Natasha Musonza revela que as operadoras de telefonia têm sido obrigadas a suspender as promoções que ofereciam dados móveis, e isto dificulta ainda mais o acesso à internet no país.

"Era assim que a grande maioria dos zimbabueanos tinham acesso à internet, e sem isto muitas pessoas não teriam condições de sequer baixar um vídeo de 10 megabites, por exemplo. Nesta sociedade, o pão à mesa está em primeiro lugar. Então quando se aumenta o serviço de telecomunicações, isto deixa de ser uma prioridade".

Crimes na internet

O aumento do serviço de dados móveis acontece ao mesmo tempo em que os zimbabueanos estão cada vez mais frustrados com a forma como o Governo dirige o país. Esta insatisfação aparece em campanhas coordenadas nas redes sociais.

Em resposta, o partido no poder elaborou nova legislação, que criminaliza uma série de manifestações na internet. Analistas como Fadzayi Mahere, defensora pública do Supremo Tribunal, dizem que isso definitivamente vai sufocar a oposição.

"Os problemas com a lei não param por aí. Esta lei também permite que a polícia - com um mandado, ou às vezes sem - invada a casa das pessoas ou seu escritório e verificar o seu computador, seus dispositivos eletrônicos, incluindo um Smartphone e recolher toda essa informação. Eles não têm esse direito. Isto é uma grave violação do direito à privacidade das pessoas".

Há quase quatro décadas sob a presidência de Mugabe, o Zimbabué tem uma longa tradição de reprimir a oposição ao Governo. O país agora segue para as eleições, e é previsto mais maninfestações nas ruas e nas redes sociais.

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