MP denuncia Lula e Marisa por tríplex no Guarujá

Ex-presidente teria recebido vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio da reforma de um apartamento. Pela primeira vez, ele é formalmente acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado nesta quarta-feira (14/09) pelo Ministério Público Federal (MPF) no caso do tríplex do Guarujá, no litoral paulista. Também são alvos da ação a mulher do petista, Marisa Letícia, o diretor do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e mais cinco pessoas.

A denúncia, adiantada pela emissora Globo News, será confirmada pelo MPF em pronunciamento à imprensa ainda nesta quarta. É a primeira vez que o ex-presidente é acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato.

Se o juiz federal Sergio Moro aceitar a denúncia, os envolvidos passam à condição de réus e responderão pelos crimes. Também foram denunciados os executivos da construtora OAS Leo Pinheiro, Agenor Franklin Medeiros, Paulo Gordilho, Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

Lula e Marisa haviam sido indiciados pela Polícia Federal (PF) no mês passado, dentro do inquérito que investiga irregularidades em uma reforma no apartamento tríplex no Guarujá. No caso do petista, a suspeita envolvia os crimes de falsidade ideológica, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

De acordo com as investigações, o casal teria recebido vantagens ilícitas da OAS em valores que chegariam a 2,4 milhões de reais. O montante seria referente à reforma no apartamento de luxo e ao custeio do armazenamento de bens da família num depósito da empresa Granero.

As investigações fizeram parte da 22ª fase da Lava Jato, que foi deflagrada em janeiro. Os investigadores suspeitam que a OAS teria oferecido apartamentos do empreendimento no Condomínio Solaris como suborno no esquema de corrupção da Petrobras e que Lula era o verdadeiro dono de um dos imóveis.

Os apartamentos foram registrados no nome de empresas de fachada. O condomínio começou a ser construído pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), que foi presidida pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso em abril de 2015. Em 2009, a OAS assumiu o empreendimento devido a uma crise financeira da cooperativa.

Na época, Lula negou ter comprado um apartamento no condomínio, mas admitiu que sua esposa adquiriu, em 2009, uma participação visando uma possível aquisição. Ele disse que, como as obras atrasaram, a OAS ofereceu devolver o dinheiro de quem ainda não tinha confirmado a compra.

Réu por obstrução

Lula se tornou réu em julho em outra ação envolvendo a Lava Jato, mas não por corrupção. Na época, a Justiça Federal decidiu aceitar uma denúncia apresentada pelo MPF contra o ex-presidente e outras seis pessoas, incluindo o ex-senador Delcídio do Amaral, por obstrução das investigações da operação.

Os envolvidos teriam tentado impedir o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró de assinar acordo de delação premiada com a força-tarefa de investigadores da Lava Jato, o que acabou se concretizando mais tarde. Eles teriam tentado comprar o silêncio de Cerveró por 250 mil reais.

EK/abr/efe

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