Opinião: Bayer chega ao seu objetivo

Henrik Böhme

Com a aquisição da Monsanto, multinacional alemã garante maior negócio do ano. Isso é uma boa notícia, apesar de não ser um lance livre de riscos, opina o jornalista de economia Henrik Böhme.

O mal mora agora em Leverkusen: claro que a aquisição da Monsanto pelo grupo alemão Bayer pode ser visto dessa forma, pois a gigante americana do setor de sementes é controversa devido às suas práticas comerciais agressivas, seus produtos geneticamente modificados e porque produz o herbicida glifosato, suspeito de ser cancerígeno, mas de uso aprovado pela União Europeia (UE).

A aquisição é um prato cheio para os críticos europeus do agronegócio desenfreado. Agora eles poderão protestar em frente aos portões das fábricas da Bayer, em Leverkusen, onde fica a sede do em breve maior produtor mundial de sementes e pesticidas.

Tornar-se o número um do mundo: esse foi, precisamente, o objetivo da ambiciosa aquisição orquestrada por Werner Baumann, a quem restam menos de seis meses no comando do Grupo Bayer. Para concretizá-lo, a multinacional alemã mostrou-se disposta a abrir a carteira.

Sessenta e seis bilhões de dólares em dinheiro vivo - isso não só é um monte de dinheiro, como é também a maior oferta em espécie na história da economia mundial. Normalmente, negociações dessa magnitude são concretizadas por meio da troca de ações. Mas já que estamos falando de superlativos: esta é a maior aquisição já feita por uma empresa alemã, e também o maior negócio de 2016.

Naturalmente devemos nos permitir levantar a seguinte questão: vale mesmo a pena? Traz-se um bad boy para dentro de casa e ainda se gasta uma fortuna com ele. E, claro, esse dinheiro a Bayer terá de recuperar de outra maneira, porque ela não está sentada em cima de uma montanha de dinheiro como, por exemplo, a Apple.

Mas há um outro ponto de vista: não é uma boa notícia para a economia da Alemanha que uma empresa listada no DAX se consolide como a maior do mundo em seu setor? O acordo também poderia ter transcorrido de forma diferente. A concorrente suíça da Bayer, a Syngenta, por exemplo, está fusionando com chineses.

O futuro da agricultura também é digital. A palavra da moda é digital farming. Afinal de contas, a população mundial continua crescendo e, portanto, é necessário alimentar cada vez mais bocas famintas. E isso em tempos em que as consequências das mudanças climáticas ameaçam ou até mesmo destroem colheitas em muitos lugares.

Assim sendo, deveria ser permitido pensar em novas formas de cultivo. Como o poder de decisão na Monsanto pertencerá à Bayer, uma empresa com sede num país onde o uso de engenharia genética é amplamente proibido, isso poderá ter um impacto sobre o portfólio da produtora de sementes e pesticidas.

Talvez o novo gigante do agronegócio consiga, combinando suas habilidades, dar respostas melhores à questão de como saciar bilhões de pessoas sem exaurir os recursos por completo. Aí, sim, cada um dos muitos bilhões de dólares terá valido a pena.

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