Oktoberfest começa com segurança reforçada após ataques

Pela primeira vez, toda área da festa está cercada. Visitantes não podem levar mochilas e passarão por controles. Autoridades de Munique dizem que medidas não vão atrapalhar a diversão, mas moradores se mostram céticos.

Neste sábado (17/09) começa em Munique a tradicional Oktoberfest, a festa da cerveja mais popular do mundo e que se realiza anualmente na capital da Baviera. Neste ano, no entanto, o medo do terrorismo está deixando as suas marcas: mesas que haviam sido reservadas nos pavilhões estão sendo canceladas, e hotéis estão registrando um número menor de reservas.

Pela primeira vez, os visitantes não poderão levar consigo mochilas ou bolsas grandes e terão de passar por controles de segurança. Também pela primeira vez, toda a área da festa será cercada. Segundo o responsável pela organização da Oktoberfest e vice-prefeito de Munique, Josef Schmid, os recentes atentados na Baviera forçaram a adoção de tais medidas.

Tiros disparados por um jovem resultaram em nove mortes num centro comercial da capital bávara. Em Ansbach, o primeiro ataque suicida de cunho islâmico registrado no país deixou 15 feridos. Em Würzburg, um ataque com um machado e uma faca, também ligado ao terrorismo islâmico, fez com que cinco pessoas ficassem gravemente feridas, quatro delas dentro de um trem.

Apesar de tudo isso, os moradores de Munique estão vestindo os seus tradicionais trajes bávaros - calças de couro para homens, vestidos dirndl para mulheres - e entrando no clima de alegria da Oktoberfest, algo que os organizadores do evento garantem que, no fim, vai prevalecer.

"Estamos ansiosos por um festival maravilhoso e tranquilo", disse Schmid. Ele, as demais autoridades da cidade e os negociantes da Oktoberfest concordam na mensagem aos festeiros: fiquem tranquilos, não se assustem com o temor de terrorismo e se divirtam.

Cancelamento de reservas

Segundo as autoridades de segurança, não existe uma ameaça concreta de terrorismo. "Para nós, a Oktoberfest de 2016 é exatamente como a de 2015", insistiu o chefe da polícia de Munique, Hubertus Andrä. Apesar disso, o ânimo parece estar mais fraco que o habitual na cidade. "Este ano eu não vou" é uma frase muito ouvida por estes dias.

Martin Stürzer, vice-chefe da Associação de Restaurantes e Hotéis de Munique, prevê uma redução de 10% a 15% nas reservas de mesas e quartos. E Regine Sixt, presidente da empresa de aluguel de carros Sixt, cancelou a sua tradicional festa para mulheres na Oktoberfest.

Por sua vez, os operadores dos grandes pavilhões de cerveja relataram um certo número de mesas canceladas, mas insistiram que isso não é problema, já que, para cada cancelamento, há dezenas de reservas na lista de espera.

Medo dos "lobos solitários"

Esta não é a primeira vez que os organizadores temem possíveis atos de violência na Oktoberfest. Em 1980, um atentado a bomba, executado por um terrorista de extrema direita, matou 13 pessoas. E, após as ameaças da organização terrorista Al Qaeda, em 2009, três fileiras de barricadas foram instaladas, incluindo estacas controladas eletronicamente para impedir possíveis ataques com carros.

No entanto, o que mais preocupa a polícia de Munique são os chamados "lobos solitários", expressão usada para designar pessoas que não são ligadas a uma rede terrorista e agem sozinhas, o que dificulta a sua interceptação por vigilância eletrônica ou por outros métodos de monitoramento.

Neste ano, por volta de 600 policiais garantirão a segurança da maior festa mundial da cerveja, cem a mais do que no ano anterior. A prefeitura contratou 450 guardas civis adicionais, ou 200 a mais. Segundo a imprensa local, somente estes custarão 3,6 milhões de euros. Há ainda 29 câmeras de vídeo para vigiar a movimentação.

Dois séculos de festa

A Oktoberfest existe há 206 anos, mas esta é a sua 183ª edição. Ela teve de ser cancelada pouco mais de 20 vezes devido a epidemias, guerras e até inflação.

A festa surgiu em 1810 para celebrar o casamento do príncipe-herdeiro Ludwig com a princesa Therese von Sachsen-Hildburghausen, tendo sido repetida anualmente para o povo. Devido à cólera, ela foi cancelada em 1854 e 1873. Além disso, durante os anos de guerra e pós-guerra, também não houve festa.

Em 1919 e 1920, houve apenas uma pequena celebração de outono. Com a ausência da monarquia, os próprios cidadãos de Munique fundaram a Associação para a Manutenção da Oktoberfest. Mas logo ela teve de ser novamente cancelada, nos anos de 1923 e 1924, devido à alta inflação.

Também durante a Segunda Guerra, o evento não aconteceu. No entanto, após 1946, a festa se desenvolveu rapidamente e, já em 1950, recebia de 5 milhões a 6 milhões de visitantes. Neste ano, em alguns dias, até 500 mil pessoas estão sendo esperadas nos 30 hectares da Oktoberfest, que prossegue até o próximo dia 3 de outubro.

CA/dpa/lusa

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos