Exército sírio declara fim de cessar-fogo

Regime culpa rebeldes por fracasso de acordo intermediado por Rússia e EUA, enquanto líder da oposição classifica pacto de "grande mentira". Observatório denuncia 92 mortes de civis durante a trégua.

O Exército sírio declarou nesta segunda-feira (19/09) o fim do cessar-fogo acertado pela Rússia e pelos EUA e que estava em vigência desde a semana passada. Regime e rebeldes acusaram-se mutuamente de violar a trégua.

"O Exército sírio anuncia o fim da paralisação dos combates que vigorava desde as 19h do dia 12 de setembro de 2016, em conformidade com o acordo entre Rússia e EUA", afirmaram as Forças Armadas em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal Sana.

O documento também afirma que "grupos de terroristas armados" - uma expressão que o governo sírio usa para se referir a qualquer grupo rebelde no país - sabotaram a paralisação das hostilidades. Os militares também acusaram os rebeldes de usarem a trégua para fortalecer suas posições com o objetivo de atacar alvos governamentais. Os rebeldes teriam violado a trégua mais de 300 vezes.

"As Forças Armadas confirmam sua intenção e determinação de continuar lutando contra o terrorismo para restabelecer a segurança e a estabilidade na Síria", diz o comunicado.

O anúncio foi feito após o Pentágono confirmar que aviões da coalizão internacional liderada pelos EUA atacaram posições do Exército sírio no último fim de semana, ao tentar combater o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI), que opera no país.

Segundo a emissora de televisão estatal síria, o presidente sírio, Bashar al-Assad disse que o ataque, que matou dezenas de soldados na província de Deir el-Zour, foi uma "flagrante agressão americana".

"Grande mentira"

Mais cedo, um dos principais líderes da oposição ao regime sírio já havia afirmado que o cessar-fogo teria sido uma "grande mentira" e culpou o regime de Bashar al Assad pelo fracasso.

"Essa semana de trégua não durou e falhou em atingir o objetivo de enviar ajuda humanitária", afirmou George Sabra, membro da aliança opositora Alto Comitê de Negociações (HNC, na sigla em inglês). O cessar-fogo, segundo ele, havia perdido toda a credibilidade.

Um dos principais objetivos do cessar-fogo era garantir o acesso de ajuda humanitária ao leste de Aleppo, onde 300 mil pessoas vivem sitiadas. Cerca de 40 caminhões prontos para transportar itens de primeira necessidade ainda aguardam na Turquia, próximo à fronteira com a Síria, a autorização do regime de Damasco para ir até a cidade sitiada.

A organização Crescente Vermelho conseguiu levar 12 mil pacotes de alimentos para a localidade de Moudamyat al Sham, dominada por grupos rebeldes, nas proximidades de Damasco. A ajuda também chegou à cidade de Talbiseh, controlada por grupos da oposição.

Nesta segunda-feira, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora a situação no país árabe, revelou que 92 civis morreram na última semana nas áreas onde o cessar-fogo entrou em vigor. Entre os mortos estavam ao menos 29 menores de idade e 17 mulheres.

JPS/RC/rtr/dpa/afp

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