Assembleia Geral da ONU deu voz aos refugiados

Kai Clemen / António Cascais / ARD

Foram muitas as intervenções em defesa dos migrantes marginalizados e desfavorecidos e contra a xenofobia, durante a reunião de alto nível sobre fluxos migratórios, esta segunda-feira (19.09), em Nova Iorque.

Muitos dos intervenientes tinham - eles próprios - vivido na pele o que significa ser perseguido e, por isso, ter que abandonar a sua terra.

Uma das intervenientes foi Nádia Murad, uma cristã yazidi no Iraque, de 23 anos de idade, que fora sequestrada pelas tropas do denominado Estado Islâmico, que dela abusaram sexualmente.

"Decapitações, escravatura sexual e violações de crianças - se isso não é motivo suficiente para que as pessoas fujam do seu país, então que motivos mais consistentes poderá haver? Nós também queremos viver e temos direito à vida!", exclamou Nádia Murad, no grande auditório da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nádia apela a mais apoio e compreensão para com os refugiados. Na semana passada, a jovem yazidi foi nomeada representante especial da ONU para os refugiados.

"Os criminosos do Estado Islâmico mataram a minha mãe, assim como outras mulheres idosas que não queriam para escravas sexuais. Mataram seis dos meus irmãos. Eles sequestraram mais de 6.500 mulheres yazidi", contou ainda a jovem iraquiana.

Nadia Murad fugiu para a Alemanha, onde foi aceite como refugiada. Ela é uma entre cerca de 65milhões de refugiados em todo o mundo, segundo estimativas da ONU.

Cimeira histórica

"Silêncio" - o presidente da Assembleia Geral, Peter Thomson, precisou de algum tempo para colocar todos os participantes em ordem e abrir oficialmente a primeira "cimeira dos refugiados", uma reunião que o secretário-geral, Ban Ki-moon, classifica de histórica.

"A cimeira de hoje é um avanço considerável no que diz respeito ao tema das migrações", disse Ban Ki-moon.

Os 193 países membros tinham acordado, já há um mês, aceitar a denominada "declaração de Nova Iorque sobre migrantes e refugiados", declaração essa que foi aclamada no pleno da Assembleia Geral. A declaração promete muito, mas praticamente não garante nada. Promete proteger os Direitos Humanos, combater o tráfico humano, salvar vidas e prestar apoio humanitário.

José Mário Vaz na sede da ONU

Mais de 140 chefes de Estado e de Governo estão presentes na sede da ONU, em Nova Iorque. Um deles é José Mário Vaz, Presidente da República da Guiné-Bissau, que discursará pela primeira vez perante a Assembleia Geral da ONU.

O secretário-geral, Ban Ki-moon, já se encontrou, na segunda-feira (19.98), com o Presidente da Guiné-Bissau, e aplaudiu o recente acordo alcançado no país para ultrapassar a crise política.

Ban Ki-moon "elogiou os progressos alcançados pelos líderes políticos na Guiné-Bissau", lê-se numa nota sobre o encontro, divulgada pela ONU.

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