Pai de suspeito de ataques nos EUA alertou FBI em 2014

Mohammed Rahami informou agentes sobre possível envolvimento do filho com terroristas, suspeito de ligação com bombas em Nova York e Nova Jersey. Autoridades investigam se houve radicalização após viagens.

O pai do afegão naturalizado americano Ahmad Khan Rahami, de 28 anos, suspeito de estar por trás dos recentes ataques a bomba em Nova York e Nova Jersey, afirmou a jornalistas nesta terça-feira (20/09) que alertou o FBI em 2014 de que seu filho estava envolvido com terroristas.

"Entrei em contato com o FBI há dois anos", afirmou Mohammed Rahami. A denúncia foi feita após Ahmad ter sido detido numa briga na qual foi acusado de ferir o próprio irmão com uma faca.

Autoridades confirmaram que Mohammed Rahami se encontrou em duas ocasiões com agentes federais. Na primeira, ele teria dito que estava preocupado com o envolvimento de seu filho com pessoas possivelmente ligadas a militantes extremistas, mas duas semanas depois, ele teria alegado que a real preocupação seria a ligação do filho com criminosos.

O FBI afirmou que tentou verificar a versão do pai e abriu o que é conhecido como uma avaliação, ou seja, o primeiro passo de uma investigação. Os investigadores, porém, não encontraram evidências, e o inquérito foi encerrado.

Após a detenção, um júri decidiu não indiciar Ahmad, apesar do alerta de autoridades de que ele poderia ser um perigo para si mesmo e para a sociedade.

Radicalização no Afeganistão e Paquistão

Autoridades americanas anunciaram nesta terça-feira que investigam se Ahmad teve cúmplices nas bombas do último fim de semana e se ele se radicalizou em viagens ao Afeganistão e ao Paquistão. "A investigação está ativa e em curso, e o caso é investigado como ato de terrorismo", afirmou a procuradora-geral dos EUA, Loretta Lynch.

Autoridades disseram que Ahmad foi submetido a controles de segurança adicionais na volta das viagens ao Afeganistão e Paquistão e que ele teria sido aprovado em todas as ocasiões.

Segundo uma reportagem do jornal americano The New York Times, um agente federal confirmou que o acusado viajou por três meses ao Paquistão em 2011 e recentemente passou quase um ano na cidade paquistanesa de Quetta, retornando para os EUA em março de 2014. Ele teria se casado durante esse período no exterior. A esposa de Ahmad teria retornado ao Paquistão poucos dias antes dos ataques, afirmou a emissora americana CNN.

O The New York Times afirma ainda que amigos de Ahmad disseram que o jovem viajou há quatro anos para o Afeganistão. Na volta, ele teria passado por uma transformação: deixou a barba crescer, começou a usar roupas típicas muçulmanas e passou a rezar no interior do restaurante da família.

A imprensa local divulgou que autoridades localizaram também notas e um computador de Ahmad, no qual aparecem menções à rede terroristas Al Qaeda e ao seu ex-líder Osama Bin Laden, além de referências ao atentado na maratona de Boston, em 2013.

Tentativa de homicídio

Ahmad é suspeito de envolvimentos nos ataques a bomba em Nova York e Nova Jersey no último sábado. Seu DNA e suas digitais foram encontrados no local da explosão em Nova York, e seu rosto aparece em imagens registradas por câmeras de segurança. Os atentados feriram 29 pessoas em Manhattan.

O afegão naturalizado americano foi preso na segunda-feira após um confronto com a polícia. Ferido, ele passou por uma cirurgia. Segundo médicos, seu estado de saúde é estável. Dois policiais também foram atingidos na troca de tiros.

Ahmad foi indiciado por sete acusações, incluindo tentativa de homicídio durante o tiroteio no qual foi capturado. Segundo a imprensa local, uma fiança de 5,2 milhões de dólares foi imposta ao afegão naturalizado americano.

Ahmad nasceu no Afeganistão em 1988 e, com 12 anos, sua família se mudou para os Estados Unidos. Morando em Nova Jersey, ele obteve posteriormente a cidadania americana.

CN/efe/rtr/lusa/ap

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