Equipa do FMI chega a Moçambique para auditoria

Leonel Matias (Maputo)

Missão do Fundo Monetário internacional chega a Moçambique para trabalhar com as autoridades locais na avaliação das recomendações deixadas por uma missão daquele organismo que visitou o país em junho último.

Uma missão do Fundo Monetário internacional (FMI) é esperada esta quarta-feira (21.09.) em Maputo para analisar com as autoridades moçambicanas a aplicação das recomendações feitas em junho último por uma missão técnica daquele organismo. A visita, segundo os analistas em Maputo, é aguardada com muita expetativa.

Espera-se que a visita da missão do FMI possa contribuir para restaurar a confiança entre as partes que se quebrou na sequência da descoberta de dívidas avalizadas pelo Estado a favor de três empresas. Daí que a principal tarefa da missão seja a de verificar os progressos registados no âmbito das reformas de política fiscal e monetária e ao nível da transparência governativa. A visita ocorre uma semana após o Presidente moçambicano Filie Nyusi e a Diretora do FMI, Christine Lagarde, terem concordado em Washington, na realização de uma auditoria internacional independente aos empréstimos contraídos por três empresas, com o aval do Estado.

As referidas dívidas, estimadas em cerca de dois mil milhões de dólares, foram contraídas em 2013 e 2014 pelas empresas EMATUM, Proindicus e Moçambique Asset Manangement sem o conhecimento do Parlamento e dos parceiros de cooperação.

Ajuda a Moçambique suspensa

Este facto levou o FMI e outros parceiros de cooperação a suspenderem a ajuda a Moçambique.

Durante a visita da presente missão do FMI deverão ser acordados os termos de referência para a realização da auditoria.

Para o analista Eduardo Sengo, esta auditoria poderá ter um impacto positivo em termos económicos, independentemente dos seus resultados. "Neste momento a auditoria internacional é uma meta que os mercados estão à espera que aconteça e que uma vez ultrapassada ou atingida, há esperança de que os parceiros de cooperação poderão depositar confiança no país e a partir daí podem retomar as relações de cooperação. E isto significa que a expectativa dos agentes económicos poderá melhorar".

Eduardo Sengo sublinhou que com a retomada das relações de cooperação, o país voltaria a registar um influxo da moeda estrangeira e maior investimento direto estrangeiro.

Dados oficiais indicam que devido a suspensão da ajuda internacional Moçambique vai perder este ano 500 milhões de dólares, para além de registar uma redução substancial no investimento directo estrangeiro situado em três mil milhões de dólares.

Segundo Eduardo Sengo o impacto da auditoria ao nível político " é um pouco complicado" porque vai depender dos resultados das investigações.

" O que a auditoria vai ditar sendo uma auditoria que está nas mãos da Procuradoria Geral da República imagino que a PGR terá de tomar medidas sendo um guardião da legalidade a nível nacional. Significa que havendo resultados dessa investigação a PGR deverá tomar as devidas medidas".

Situação restuarada poderá ainda demorar

Questionado pela DW África se acredita que a presente visita da missão do FMI poderá culminar na retomada imediata dos desembolsos dos financiamentos congelados por aquele organismo, Eduardo Sengo manifestou-se reticente.

" Eu acho que não. Provavelmente tenhamos que dar mais alguns passos neste processo todo para podermos ter esta situação restaurada. A confiança é uma coisa que se constrói ao longo do tempo".

O analista Eduardo Sengo admite que Moçambique registou alguns progressos na implementação das recomendações deixadas pela anterior missão do FMI mas disse que o país precisa de continuar a dar passos concretos.

Eduardo Sengo acredita, no entanto, que o fim da atual situação, caraterizada pelo mau relacionamento com os parceiros internacionais e a tensão político militar, poderá não estar muito distante como se imaginava há dois mêses.

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